Vou pegar o Eike Batista pra Cristo. Ele encarnou, como empresário, o espírito fanfarrão do político Lula da Silva. Fizeram um casamento perfeito, criaram um conto das mil e uma noites.
O resultado de tanta fanfarronice está aí. Com uma vantagem: agora parece que a gente aprendeu a perceber o que é fanfarronice e o que não é, quem é fanfarrão e quem não é.
Por exemplo, se Eike Batista é fanfarrão, logo David Neeleman não é. Outra vantagem: se o mercado ficou ruim para o Eike,que quebrou, não parece que ficou ruim para o David, que comprou a TAP. Ou seja, o mercado está ruim para a fanfarronice mas não está necessariamente ruim para quem trabalha sério.
Outro dia, lendo o jornal, constatei que, dependendo da página a que você der atenção, investir no Brasil pode ser um péssimo negócio, como pode ser um ótimo negócio.
Simples: empresas que tem uma visão de longo prazo, estão identificando uma excelente oportunidade de planejar seu crescimento a um custo menor do que aquele custo que vigora quando o mercado está eufórico. Já quem tem uma visão de curto prazo, desanima, uma vez que, certamente, não vai ter um retorto imediato do investimento.
Quando o presidente da Mercedes Benz dá uma entrevista pessimista no jornal, ele levanta a bola para a BMW que chegou com tudo, pensando lá na frente.
Eu credito o mau humor de um setor do empresariado à perda de uma certa comodidade que a euforia proporciona. Ao atender apenas demanda, desacostumamos de quebrar pedra.
Tirando dois ou três períodos de vacas gordas, incluindo a era Lula, posso dizer que, em meus quarenta anos de carreira, trabalhei quebrando pedra. Para mim, isso é o normal, acredito que aqui e na China.
Claro que vamos atravessar um período em que o capital investido em produção não vai ser tão bem remunerado como num passado recente. Paciência. Sejamos felizes ganhando menos e empreendendo mais.
Do resto, o tempo se encarrega.
