A Copa do Mundo de 2026 deve expandir o perfil dos creators envolvidos na cobertura do evento nas redes sociais. Um levantamento realizado pela BrandLovers, empresa responsável pelo Creator Ads, indica que apenas 9,7% dos criadores brasileiros confirmados presencialmente nos Estados Unidos têm o esporte como principal categoria de atuação.
O estudo identificou 58 creators especializados em esportes dentro de uma base de 158 nomes já confirmados para acompanhar o torneio in loco. A maior parte dos influenciadores, no entanto, atua em áreas ligadas a lifestyle, beleza, humor, maternidade e gastronomia, sinalizando uma transformação no papel da Copa dentro da creator economy.
Ao considerar a atuação geral desses perfis, o cenário se mostra ainda mais diverso: 74,2% dos creators não possuem qualquer categoria relacionada ao esporte, indicando que boa parte das conversas sobre a Copa acontece fora do ambiente esportivo tradicional.
Para Miriam Shirley, presidente da BrandLovers no Brasil, os números refletem uma mudança na maneira como grandes eventos são acompanhados pelo público. “A Copa deixou de ser um território exclusivo do esporte e passou a ser um fenômeno cultural. As pessoas se conectam com o evento por diferentes caminhos, e os creators refletem esse comportamento”, afirma.
Na prática, essa mudança deve resultar em uma cobertura mais ampla e fragmentada. Creators de cultura e entretenimento, que representam 25,29% dos influenciadores presentes no evento, devem concentrar conteúdos voltados a bastidores, experiências e interação com o público. Já os perfis ligados à moda e estilo, responsáveis por 19,93% da base analisada, tendem a explorar tendências e narrativas inspiradas pela competição. Entre os creators de turismo, que correspondem a 11,06%, a expectativa é de conteúdos relacionados a viagens, gastronomia e aos destinos que receberão os jogos.
O movimento acompanha alterações no comportamento da audiência, que passou a consumir o evento para além das partidas e dos resultados. Experiências pessoais, opiniões e interpretações sobre a Copa ganham espaço nas redes, especialmente quando compartilhadas por creators com os quais o público já possui identificação.
Para o mercado publicitário, a diversificação amplia as possibilidades de ativação durante o torneio. “Quando a maioria dos creators presentes não é especializada em esporte, fica evidente que a conversa sobre a Copa acontece em múltiplos territórios ao mesmo tempo. Isso abre espaço para estratégias mais amplas e mais conectadas com diferentes públicos”, diz Miriam.
A tendência também acompanha movimentos já observados no marketing de influência. De acordo com o Influencer Marketing Benchmark Report, 44% das marcas apostam em estratégias com creators de diferentes nichos para alcançar novas audiências, reforçando a busca por campanhas que combinem múltiplas linguagens e perfis.
Nesse contexto, a presença de influenciadores de diferentes segmentos na Copa de 2026 evidencia uma mudança mais ampla no mercado de conteúdo digital. O torneio passa a funcionar como ponto de encontro entre diferentes interesses e comunidades, em um cenário no qual o esporte deixa de ocupar sozinho o centro da conversa.
Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a Comunidade AcontecendoAqui. Envie um e-mail para [email protected]

