No ano de 2026, é perceptível: a Copa do Mundo pode marcar uma mudança na forma como marcas e plataformas atuam durante grandes eventos esportivos. Mais do que uma disputa por audiência, o Mundial passa a ser visto pelo mercado publicitário como um ambiente guiado por timing, dados e capacidade de reação em tempo real.
Nesse cenário, campanhas planejadas com antecedência tendem a dividir espaço com ações acionadas em segundos, acompanhando o comportamento do público durante a transmissão das partidas.
O movimento já começa a ganhar força por meio de iniciativas que conectam televisão e ambiente digital em tempo real. É o caso da integração entre a MGID e a Tunad, que aposta em campanhas capazes de reagir a acontecimentos dentro e fora de campo, de um gol a uma revisão de VAR, para ativar anúncios nos momentos de maior atenção da audiência.
A lógica altera a dinâmica tradicional da publicidade esportiva. Durante o jogo, o foco permanece na partida. Já nos intervalos e paralisações, a atenção migra para a chamada segunda tela, abrindo espaço para ações digitais voltadas à conversão.
“Durante o jogo, a atenção do público está totalmente voltada para o campo. É nos momentos em que a bola para que surge a oportunidade real de conexão. A tecnologia permite identificar esses pontos com precisão e ativar campanhas no timing mais eficiente”, afirma Ricardo Monteiro, COO da Tunad.
Segundo dados da empresa, campanhas sincronizadas em tempo real podem ampliar as taxas de conversão em pelo menos 25%, chegando a 85% em cenários considerados mais favoráveis.
Para Fernanda Acacio, CEO da MGID no Brasil, o avanço desse modelo evidencia uma desconexão histórica entre campanhas offline e online. “Existe uma desconexão entre campanhas offline e online, especialmente em grandes eventos. Penso que hoje em dia essa integração do on e offline só é possível com o avanço das tecnologias que mais recentemente permitiram essa sincronização”, analisa.
Na prática, a mudança transforma a Copa em um ambiente de dados em tempo real, no qual capacidade analítica e velocidade operacional passam a ser determinantes para o desempenho das campanhas.
Para Fabricio Macias, especialista em marketing e fundador da Macfor, esse novo cenário separa visibilidade de performance efetiva. “A Copa sempre foi tratada como um pico de mídia. Mas, na prática, ela virou um ambiente de comportamento em tempo real. Quem não tiver estrutura para ler e reagir rápido vai gastar mais e performar menos”, afirma.
A disputa pela atenção do público também se intensifica. No Brasil, 68% dos usuários conectados afirmam ser fãs de futebol, enquanto 95% pretendem acompanhar a Copa, ampliando o alcance do evento e, ao mesmo tempo, a concorrência entre marcas, plataformas e criadores de conteúdo.
O papel da segunda tela se torna ainda mais central nesse processo. O hábito de acompanhar redes sociais, aplicativos e plataformas paralelamente à transmissão esportiva faz com que os momentos de pausa do jogo se transformem em oportunidades estratégicas para ações publicitárias.
Dentro desse contexto, o real-time marketing deixa de ser apenas uma ação criativa pontual e passa a operar como infraestrutura tecnológica.
A tecnologia desenvolvida pela Tunad atua identificando gatilhos em tempo real, incluindo eventos da partida, tendências de busca e menções durante transmissões. Já plataformas como a MGID viabilizam a distribuição imediata de anúncios em diferentes formatos, utilizando recursos baseados em inteligência artificial.
Para Maykon Marins, porém, o debate sobre velocidade ainda ignora um aspecto central da construção de audiência. “Vou dizer o que pouca gente está dizendo: você não vai ganhar a Copa com tempo real. Vai ganhar com o que construiu antes dela. Tempo real é commodity. Audiência fiel, por outro lado, é ativo que escala. E a marca que ainda mede sucesso em alcance está jogando o jogo de 2010 em 2026”, provoca o executivo.
Diante desse cenário, a discussão para as marcas deixa de estar concentrada apenas no volume de investimento destinado ao torneio. O foco passa a ser a capacidade de operação, leitura de comportamento e adaptação em tempo real.
Em 2026, a presença durante a Copa pode não depender apenas de quem aparece mais, mas de quem consegue entender com precisão quando aparecer.

Foto: Reprodução/Instagram
Entre em contato com o AcontecendoAqui se tiver interesse em divulgar seus trabalhos para a Comunidade AcontecendoAqui. Envie um e-mail para [email protected]
