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Coca-Cola cresce sem seguir tendências do marketing
18 de Maio de 2026

Coca-Cola cresce sem seguir tendências do marketing

Confira a análise de como a empresa mantém crescimento contínuo enquanto o mercado prioriza campanhas virais e modelos disruptivos

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Quando o CEO da The Coca-Cola Company, Henrique Braun, apresentou os resultados do primeiro trimestre no fim de abril, o anúncio passou quase despercebido no mercado de marketing.

Os números, porém, chamaram atenção. A receita líquida da empresa cresceu 12%, alcançando US$ 12,5 bilhões. A receita orgânica avançou 10%, enquanto o volume global de vendas subiu 3%, impulsionado principalmente pelos Estados Unidos, China e Índia. O lucro por ação aumentou 18%, e a margem operacional passou de 32,9% para 35%. O fluxo de caixa livre chegou a US$ 1,8 bilhão.

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A companhia também elevou sua projeção anual e ampliou, mais uma vez, o pagamento de dividendos, mantendo uma sequência de 64 anos consecutivos de aumento anual.

Há apenas 4 meses no cargo, após deixar a posição de diretor de operações para substituir James Quincey, que assumiu a presidência do conselho, Henrique Braun resumiu os resultados de forma discreta durante uma teleconferência de cerca de 30 minutos: “Tivemos um começo de ano forte.”

O artigo, assinado por Mark Ritson, argumenta que o desempenho da The Coca-Cola Company revela uma contradição dentro da própria indústria de marketing. Enquanto o setor volta sua atenção para campanhas disruptivas, marcas menores e estratégias consideradas inovadoras, empresas consolidadas seguem crescendo por meio de consistência operacional e disciplina de marca.

O cenário enfrentado pela companhia está longe de ser simples. O consumo de refrigerantes nos Estados Unidos registra queda há duas décadas, enquanto medicamentos da categoria GLP-1 vêm alterando hábitos alimentares e de consumo. Ao mesmo tempo, regulamentações ligadas ao açúcar aumentaram a pressão sobre o setor, e tarifas comerciais elevaram custos envolvendo alumínio, logística e concentrados.

Mesmo diante desse contexto, a estratégia da empresa permanece praticamente inalterada.

Marcas como Coca-Cola, Diet Coke, Coke Zero Sugar, Sprite, Fanta, Minute Maid, Powerade e Smartwater continuam no centro da operação, apoiadas por uma estratégia focada em vender os mesmos produtos de maneiras consideradas mais relevantes para diferentes públicos.

Segundo o texto, o modelo não se apoia em grandes transformações corporativas ou mudanças radicais. A estrutura de investimento 70/20/10 segue mantida, assim como a lógica de concentrar todas as marcas sob a arquitetura principal da Coca-Cola. A plataforma “Real Magic”, lançada em 2021, continua sendo um dos pilares da comunicação da companhia cinco anos depois.

“O que a empresa faz não é mudar de direção constantemente. Ela acumula resultados”, resume o artigo.

O contraste fica ainda mais evidente quando comparado ao espaço dado pela imprensa especializada a marcas menores e campanhas de forte repercussão digital. O texto cita a Liquid Death, marca de água enlatada que faturou cerca de US$ 340 milhões em 2025 e alcançou avaliação privada de US$ 1,4 bilhão.

Embora reconheça a criatividade da marca e o trabalho de seu fundador, Mike Cessario, o artigo argumenta que a diferença de escala entre as empresas raramente se reflete na atenção recebida dentro da indústria.

A The Coca-Cola Company deve ultrapassar US$ 50 bilhões em receita neste ano, sendo cerca de 45 vezes maior que a Liquid Death no mercado norte-americano de bebidas e aproximadamente 140 vezes maior em escala global.

Para o autor, o mercado passou a valorizar excessivamente campanhas virais e movimentos considerados disruptivos, deixando em segundo plano estratégias sustentadas por consistência de longo prazo.

O texto também destaca que a companhia mantém uma atuação baseada em pesquisa de consumidor, disciplina de preços, distribuição em larga escala e investimento contínuo em mídia, independentemente de oscilações econômicas. Segundo Mark Ritson, esse modelo ajuda a explicar por que a The Coca-Cola Company continua sendo uma das maiores referências globais em construção de marca, mesmo sem recorrer constantemente a reinvenções ou campanhas voltadas exclusivamente ao impacto imediato.

A empresa distribui cerca de 2,2 bilhões de porções por dia, opera 32 marcas bilionárias e mantém crescimento anual de dividendos desde o governo de Lyndon B. Johnson nos Estados Unidos.

Para o autor, o caso da The Coca-Cola Company demonstra que estratégias consideradas menos chamativas ainda podem gerar resultados consistentes quando sustentadas por disciplina e continuidade ao longo do tempo.

Foto: Pexels

Fonte: Mark Ritson, AdWeek

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