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Austrália redefine redes sociais e impacta YouTube
04 de Dezembro de 2025

Austrália redefine redes sociais e impacta YouTube

Regra limita interações de jovens no YouTube e pressiona gigantes digitais por mais segurança

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À medida que as redes sociais se tornam menos “sociais” e a televisão se consolida no ambiente digital, a Austrália avança com uma lei inédita que define o que é, e o que não é, rede social. A decisão, porém, abre espaço para um debate maior: afinal, em um cenário de fronteiras borradas, como o mercado deve pensar investimentos em mídia?

O que ainda chamamos de rede social?

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A proibição para menores de 16 anos afeta um público de menor valor publicitário, mas toca no centro da estratégia de comunicação desta década. O uso das redes está fragmentado globalmente, e apenas poucas plataformas conseguem manter alcance massivo — entre elas, o YouTube ocupa posição dominante. Ao mesmo tempo, o ambiente digital deixou de ser um espaço de interação entre pares e passou a se parecer cada vez mais com um fluxo infinito de vídeos verticais.

Mesmo com essa transformação, o investimento global no setor continua acelerado: em 2025, 41% de todo o crescimento mundial em publicidade será destinado às redes sociais. Na prática, as redes migraram de comunidades para plataformas de entretenimento guiadas por algoritmos, fazendo com que “social” deixe de ser um tipo de mídia e se torne um comportamento presente em qualquer tela.

Diante disso, surgem perguntas fundamentais: o YouTube é rede social? Ainda existe diferença entre social e outras mídias? Para anunciar com eficácia, é preciso exigir login?

A proibição para menores de 16 anos é importante

Como em um bar que deve controlar a entrada de menores, a responsabilidade recai sobre a plataforma: se não impedir o acesso indevido, há multa que pode chegar a 49 milhões de dólares australianos (cerca de US$ 32 milhões). A postura já ganha eco em políticos europeus.

Mas, o que está acontecendo?

O YouTube será incluído no banimento do uso de redes sociais por menores de 16 anos na Austrália, a partir de 10/12. A plataforma afirmou que cumprirá a lei, embora sustente que a medida “não tornará adolescentes mais seguros on-line”.

A decisão veio após o Google contestar a inclusão do YouTube, ambas empresas pertencem ao grupo Alphabet, já que, em um primeiro rascunho da regulamentação, o serviço não era considerado uma rede social.

Com a nova regra, jovens poderão continuar assistindo aos vídeos, mas não poderão curtir, comentar ou se inscrever em canais, ações que exigem conta. Rachel Lord, diretora de Políticas Públicas de Google e YouTube na Austrália, afirmou em blog oficial:

“Ao obrigar menores a usar o YouTube sem login, a lei elimina justamente os controles parentais e filtros de segurança que protegem os jovens”.

A ministra das Comunicações, Anika Wells, classificou o argumento como “estranhíssimo”, lembrando que o próprio YouTube afirma que a plataforma “é mais insegura quando usada sem estar conectado”.

Como a lei define uma rede social

O Social Media Minimum Age Act se aplica a serviços que cumprem ao menos um destes critérios:

  • Ter como propósito principal ou relevante permitir interação social entre usuários;
  • Possibilitar conexão ou interação entre pessoas;
  • Permitir a publicação de conteúdos pelos usuários.

Com isso, 10 plataformas foram enquadradas: Facebook, Instagram, Snapchat, Threads, TikTok, X, YouTube, Reddit, e os streamings Kick e Twitch. Não haverá punição para pais ou crianças que desrespeitarem a norma: a responsabilidade legal é exclusivamente das plataformas.

Foto: Freepik

Foto: WARC

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