1. O cara chegou ao serviço com as duas orelhas cheias de esparadrapo. Curiosos, os colegas perguntaram:
O que foi isso, meu chapa?
Ele respondeu:
Eu estava assistindo ao jogo do Galinho na Copinha S. Paulo pela TV e minha mulher estava passando roupa ao meu lado. O telefone tocou.
Eu estava tão distraído com o jogo, que confundi o ferro de passar roupa com o telefone e coloquei ele na orelha.
Os amigos perguntaram:
E a outra?
Assim que eu desliguei, ligaram de novo.
(da coluna Bola Murcha, publicada no jornal Super Notícia)
2. Quantas vezes nós, encantados com a promessa de algum anunciante de nos dar a conta se montarmos uma Agência, fazemos isso?
Às vezes quebramos a cara:
“Eu prometi isso? Está enganado.”
Conheço vários casos assim.
Mas às vezes da certo. A gente ganha a conta, a agência cresce, a gente ganha dinheiro. Mas cada vez menos.
Cada vez menos? Rapidamente a gente percebe que está em uma atividade frágil, onde o cliente deita e rola. Inclusive pagando menos.
O fenômeno está registrado na própria história da publicidade brasileira.
Algumas gerações atrás alguns empresários do setor, cada um dono da própria agência, perceberam em que negócio estavam. E se uniram para defendê-lo.
Um não morria de amores pelo outro. Se pudesse tirar-lhe uma conta, tirava. Criticavam-se, às vezes maldosamente, mas tinham consciência de que em primeiro lugar estava a atividade.
Daí resultaram a regulamentação da atividade, com garantia de desconto de 20%, uma das mais altas do mundo, Conar, afastamento dos birôs de mídia etc.
Aos poucos, porém, por ordem da natureza humana foram se retirando. Uns se aposentando, outros falecendo.
As gerações que vieram depois foram um fiasco. Olhavam exclusivamente para o próprio umbigo. Restringiram a área de negócios para as agências deles. Fizeram qualquer negócio para ganhar contas novas. Ganharam muito dinheiro. Cada vez menos.
Perderam a autoridade perante clientes e governos. Perderam as agências. Hoje, não passam de empregados de multinacionais. Valeu a pena? Pra eles talvez tenha valido. Ficaram milionários. Mas para a publicidade brasileira foi um desastre.
3. Por que estou dizendo isso? Porque vejo a publicidade catarinense vivendo um ciclo semelhante. Cada um defendendo seu pedacinho, sem se preocupar com o negócio como um todo. Alguns até aceitam alimentar verdadeiros descalabros. Aceitam qualquer duzentos réis para ganhar um cliente. Atendem mal, porque a taxa não permite oferecer coisa melhor, ganham descompostura pública do cliente, denigrem o negócio.
Não conseguiram ainda perceber em que negócio estão. Ao invés de ouvir, tacam ferro de passar na orelha.
4. Augusto Nascimento e Robert Lauterborn, no excelente os 4 E’s de Marketing e Branding, o exemplo da Sears.
A Sears foi a primeira empresa a definir com clareza qual era o seu negócio com base no conhecimento de sua clientela.Seus gestores diziam que o negócio da Sears não era vender como todo mundo acreditava que era – mas sim comprar para a família média americana rural das pequenas cidades sub-abastecidas de produtos industriais.
Jan Carlzon, o homem que criou um novo conceito de empresas focadas no cliente diz, entre outras coisas, no maravilhoso A Hora da Verdade:
Surpreendentemente, muitos executivos começam pelo planejamento de objetivos e estratégias, retrocedendo mais tarde para examinar o mercado e as necessidades dos usuários. É óbvio que este processo está na ordem errada. Como é possível saber quais são os objetivos e estratégias da sua empresa se você não tem uma visão clara do ambiente onde opera ou não tem não do que os usuários querem? Infelizmente, quando as companhias reconhecem que deveriam ter planejado de maneira inversa, já é tarde demais.
…. o primeiro passo deve ser o direcionamento para o cliente. Significa olhar sua companhia e decidir, do ponto de vista do usuário, em que tipo de negócio você realmente está.
5. Vale a pena, enquanto é tempo, parar para pensar em responder: em que negócio você está.
Se fizer isso vai perceber que o seu principal negócio é fortalecer o próprio negócio como um todo. Para ser mais respeitado. Para ganhar a admiração dos seus Clientes.
