Balanço geral do evento: a abrangência da tecnologia é muito maior do que aquela que imaginamos
Se a experiência inicial de participar do South by Southwest (SXSW) é de angústia para escolher o que ver e o que acompanhar, a sensação, agora que o festival de Interactive acabou, é de confusão. Sintomas do mundo tecnológico. No balanço geral do evento após a névoa de conteúdo e novas experiências ficar um pouco menos espessa, algo pelo menos está claro: a abrangência da tecnologia é muito maior do que aquela que imaginamos sentados nas nossas mesas ou enfiados nas salas de reunião. A seguir, alguns pontos interessantes não só sobre o evento, mas sobre a experiência SXSW em si:
– Não se importe com os cheiros nem com as barbas – Prepare-se para uma experiência sensorial. Olhos, ouvidos e olfato são estimulados ao extremo em Austin nestes dias de SXSW. O contato com geeks e hipsters com suas camisas xadrez, Google Glass e barbas de todos os cumprimentos são uma atração à parte. Depois dos primeiros dias e, talvez após ter passado mal, seu nariz e estômago criam resistência para o forte cheiro de gordura que paira no ar o tempo todo, seja nas ruas da cidade, vindo dos inúmeros truck foods, seja nos corredores do Austin Convention Center, repleto de quiosques que vendem todo tipo de trash food. Se prepare também para ver pessoas almoçando pizzas, tacos e burritos no chão, na escada rolante ou ao seu lado em alguma sala de palestra. Fora o cheiro de churrasco que, durante umas quatro horas ao longo do dia, adentra o ACC, vindo da enorme filial da Fogo de Chão que fica bem em frente à principal avenida do SXSW.
– Nem tudo que reluz é ouro – Como já comentou muito bem o Eduardo Vieira, roubadas existem em todas as partes. Se até alguns keynotes decepcionaram bastante, imagina um painel menor que tem que disputar a atenção com outras 15 atrações ao mesmo tempo. Seja pela superficialidade, venda excessiva do próprio peixe ou pelo fato de o título da palestra ser muito melhor do que a entrega, existem, sim, coisas ruins no SXSW. Para tentar fugir disso, vale uma dica preciosa: se nos dez primeiros minutos você perceber que não vai sair muito coisa daquele painel, saia correndo e tente ir àquela sua segunda opção caso fique geograficamente perto. Se não der, conforme-se.
– Prepare-se para enfrentar longas filas de táxi – Para quem vem pela primeira vez ao SXSW, é muito interessante ver a forma como a cidade se transforma para receber o evento. Há desde cardápios especiais para os delegados em quase todos os restaurantes à ativação de inúmeras marcas pelas ruas, mas a questão da mobilidade é um ponto crítico. Ainda mais para quem tem que se locomover de grandes distâncias, ou seja, quase todo mundo que ficou em hotéis ou alugou casas fora do centro de Austin. Táxi por aqui é matéria escassa e, para consegui-los, espera-se em média 20 minutos em longas filas. A organização do festival até que tenta, mas os shuttles oficiais do evento não são tão frequentes assim. Para trajetos mais curtos, são comuns e bastantes interessantes os pedicabs, um tipo de carruagem aberta feita por bicicletas.
– Não há receitas prontas – Do interessante conceito ‘learning by doing’, apresentado magistralmente por Joi Ito, do MIT, passando pela ressignificação da ideia de privacidade à internet das coisas, tudo está sendo reprocessado, reprogramado, reconfigurado. Não há tempo para muitas teorias. Fazer nunca teve tanta importância nesse mundo como agora. Tire já suas ideias da cabeça e as ponha em prática. Nem perca tempo colocando-as no papel! O espírito empreendedor do SXSW é contagiante e ele não vale apenas para startups. Vale acima de tudo para aquela campanha que você sempre teve vontade de fazer, mas nunca teve coragem nem de propô-la.
– Democratização e voluntariado – Dentre muitos, talvez o maior mérito do SXSW é o de ter conseguido criar relevância ao apostar na democratização do conteúdo. Nenhum speaker do evento paga para participar dele e, em contrapartida, a organização do festival também não paga nenhum cachê aos keynotes. Esse ponto já tira qualquer viés comercial e dá uma certa isenção rara hoje nesse mundo cada vez mais comprometido com interesses nem tão legítimos assim. Além disso, a maior parte das centenas de pessoas que trabalham durante o evento é formada por voluntários. E, pasmem: tudo funciona perfeitamente. Informação do MMOnLine com texto e fotos de Regina Augusto, editora do Meio&Mensagem.


