Pelo 15º ano consecutivo, a futurista Amy Webb subiu ao palco do SXSW para revelar detalhes do relatório anual de tendências do Future Today Institute. Esse ano com 668 páginas, abrangendo 574 tendências longitudinais de tecnologia e ciência, distribuídas em 30 cenários. Algo para consumir devagar, considerando seu alerta para exercitarmos cada vez mais a nossa percepção sobre os fatos, os dados e as certezas adquiridas a partir deles.
“As tendências por si só não são suficientes. Precisamos usá-las para nos ajudar a re-perceber o futuro. Para nos ajudar a influenciar o futuro”, diz a
futurista Amy Webb. Em outras palavras, precisamos ressignificar a inovação.
1 “A Web3 é sobre transparência, interoperabilidade e confiança”
Para Amy Webb, o futuro da Web3 está em aplicações práticas como infraestrutura e cadeia de suprimentos. Em um supermercado, o blockchain poderia ser usado para rastrear, com mais precisão que um código de barras, de onde vem cada produto. No planejamento urbano, poderia modelar tendências de densidade, planejamento de tráfego e outros serviços.
À medida que evoluímos para uma nova Internet, com uma infraestrutura nova, as experiências digitais serão mais sensoriais.
E a interface será mais humana.
2 “No metaverso, a identidade digital será como a carteira de motorista”
“O metaverso faz parte da Web3”. Até agora, ele não é uma tecnologia única, nem é controlado por uma única empresa ou entidade central. As pessoas criarão múltiplas versões digitais de si mesmas, sob medida para fins específicos, geridas em uma identidade digital. As mídias sintéticas devem prosperar, criando produtos para venda em lojas virtuais, e ativos digitais passíveis de serem licenciados. O trabalho se tornará mais imersivo, com plataformas de reuniões virtuais, experiências digitais e mundos de realidade mista.
3 O hype dos NFTs é trampolim para uma infraestrutura mais valiosa”
Os NFTs são valiosos por causa da escassez e porque, por enquanto, existe um mercado para eles. Pode haver escassez de NFTs individuais, mas existem milhões de colecionáveis digitais e isso sinaliza saturação. Webb diz que devemos olhar para os NFTs como ativos divertidos – “coisas brilhantes, uma distração”- que servem como trampolim para essa infraestrutura nova que está sendo construída. “É a infraestrutura, que é indiscutivelmente mais chata, que realmente importa”, diz ela.
4 “O Ethereum tornou-se a principal plataforma para a DeFi”
Num futuro próximo, o dinheiro será programável – e mais coisas ganharão qualidades quantificáveis, líquidas e fungíveis. O ecossistema financeiro passa
por uma transformação. Blockchain e protocolos de código aberto criam alternativas aos controles regulatórios e de capital. A Ethereum tornou-se a blockchain dominante para finanças descentralizadas (DeFi). O Ether, que a sustenta, surge como a garantia dominante na DeFi.
Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs) já gerenciam US$ 10 bilhões em assets.
Oriundo do relatório especial produzido em parceria pela The Shift e Anbima.