Inovação social é um termo novo para uma prática que existe há muito tempo. Quando lideranças comunitárias optam por uma solução como uma moeda paralela que garanta manter dentro do seu bairro “empobrecido” a riqueza gerada por seus moradores que antes era gasta fora da comunidade, e articula esta ação com diversos setores, ele desenvolve uma inovação social. E esse exemplo é a história real do Banco Palmas.
Cada vez mais que mergulho no tema inovação, percebo a importância de desmistificá-la para que seja um conceito próximo e concreto. Inovação não é uma invenção ou ideia criativa apenas, mas a mesma incorporada pela sociedade ou mercado, e para ser adotada pelas pessoas que a usam, deve ser de fácil assimilação, entre outros atributos importantes. Seguindo esta lógica, a inovação é simples o suficiente para ser colocada em prática, humana o bastante para entender o comportamento e desejo das pessoas, e específica e adequada a cada contexto ao considerar que cada situação tem um contexto único.
Como um ponto de partida usemos um conceito básico de inovação social cunhado por uma das principais referências atuais, o Centro de Inovação Social da Universidade de Stanford, que define como “uma nova solução para um problema social, uma solução mais efetiva, eficiente, sustentável ou justa que as soluções já existentes, e que, prioritariamente, gere valor para a sociedade como um todo ao invés de beneficiar apenas alguns indivíduos”. Veja uma palestra da Diretora deste Centro, Kriss Deiglmeier, que veio ao Seminário Social Good Brasil 2013:
Não é inovação pela inovação, mas inovação para solucionar problemas e atender necessidades reais. O foco é melhorar a qualidade de vida do cidadão, reduzir a pobreza de cerca de 16 milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza (Plano Brasil Sem Miséria 2012) e a desigualdade social. Sendo o último, para mim questão fundamental no Brasil, já que somos o 10º país mais desigual no ranking mundial (Coeficiente GINI 2012).
Apesar de inovação não ser necessariamente tecnológica, reconheço que vivemos num momento de aceleração do ritmo de inovação tecnológica e que fica difícil falar de inovação sem mencionar novas tecnologias e a internet. Segundo a pesquisa F/Radar 2013, somos 84 milhões de Brasileiros na internet, sendo 43 milhões que acessam de dispositivos móveis. Podemos reconhecer a internet como precursora de uma onda de destruição criativa.
É uma revolução tecnológica e comportamental e uma onda que todos os setores estão surfando. A tecnologia tem demonstrado ser uma ferramenta poderosa para apoiar a resolução de problemas sociais, e uma expressão de inovação social na prática. Desde 2010 na semana das Nações Unidas um grupo de organizações multinacionais com e sem fins lucrativos, entre elas a Fundação das Nações Unidas (http://unfoundation.org), realiza o Social Good Summit (http://mashable.com/sgs/), um evento de três dias para debater com lideranças mundiais o papel da tecnologia e da inovação para o futuro que queremos. Nesta trajetória Social Good transformou-se num novo conceito a cada dia mais usado, que significa usar o poder das novas tecnologias e o pensamento inovador para mudança social.
Em 2012, em parceria com o movimento global que se tornou o Plus Social Good, foi lançado o Social Good Brasil, iniciativa que também é difundida a partir da força empreendedora de um conjunto de organizações, dando destaque ao ICom e ao IVA, que conceberam e coordenam o programa a partir de suas experiências anteriores em inovação social.
O Social Good Brasil já mapeou mais de 60 tecnologias no país que contribuem com a solução de problemas sociais, e cada vez mais projetos são identificados. As iniciativas são transformadoras principalmente po meio da transparência, do acesso e da escala.
A transparência, fundamental para o exercício pleno de nossa cidadania, é impulsionada pelas plataformas e aplicativos móveis que permitem acesso fácil a informação e conveniente de qualquer lugar. No Brasil, neste ano de eleições Presidenciais, estas soluções devem ser ainda mais utilizadas. Entre elas estão o Votenaweb, entre outras iniciativas que são criadas diariamente, como o aplicativo móvel para acompanhamento do plano de metas de prefeituras começando pela cidade de São Paulo.
A tecnologia também permite o acesso com autonomia a serviços básicos fundamentais como educação e saúde, entre outras oportunidades como novas fontes de financiamento de projetos. As plataformas de financiamento coletivo cresceram no Brasil contando com o Catarse como pioneiro. Um caso exemplar de acesso a saúde é o Saútil, um site de busca de consultas, vacinas, remédios e outros serviços públicos de saúde para os seus usuários.
E finalmente, a tecnologia permite que com baixo investimento e rapidez seja possível alcançar um grande número de pessoas e mobilizá-las por uma causa comum. Os sites de petições online, que mobilizam milhares de cidadãos a pedir melhorias em temas importantes, como educação, saúde e segurança pública são um excelente exemplo. Além do Avaaz, precursor no tema e onde o projeto de lei do Ficha Limpa recolheu cerca de 2 milhões de assinaturas para ser levado ao Congresso nacional, novas iniciativas surgem a todo momento no Brasil como a Change.org e Meu Rio, entre outras. Cada vez mais movimentos sociais como esses se originam na internet e proporcionam uma plataforma de organização para tais desejos de mudança.
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