Viramos o Ano! 2014 nos recebe caloroso na América ‘tropicaliente’. O tempo passa lento, recuperando-se das marés de rosas e oferendas, das promessas lacrimosas de um dia ímpar que o homem coloca estrelas no céu.
Um pouco adiante, somos resgatados ao cotidiano, embora com uma recusa implícita em tomar estes como os tantos outros dias do passado. É como se não quiséssemos perceber que as tantas expectativas que colocamos no futuro próximo, datado, é tão incerto e ao mesmo tempo tão fértil e promissor quanto o anterior.
Talvez seja assim por sermos cúmplices das nossas fraquezas nas trajetórias de realização que traçamos, ou por esquecermos delas tão logo o sol recolha seu ardor de verão. Também é possível que sejamos apenas cúmplices do laissez faire e nos recolhamos na insignificância que alguns “sucessos” nos exigem.
Facilmente nos rendemos às necessidades do bolso e do ego e somos enredados em argumentos falaciosos de que nossa dedicação estará bem recompensada por discursos e brocados. Deixamos de olhar o horizonte com suas ondas em movimento e só enxergamos a areia brilhante, mesmo escaldante e fugidia.
Um modo alternativo de escapar desse círculo vicioso poderia ser, quem sabe, tornar as metas mais próximas e transformadoras, cumprindo-as zelosamente um dia após o outro. Caminhar tateando com dedos de carícia cada alvorecer e dormir sonhos concretos. Fazer da vida uma aventura prazerosa e realizadora, mesmo com todos os seus percalços.
Não é uma promessa de paz de espírito, que este nos surpreende e arrebata sem avisos, tampouco de afastar tristezas e temores. Seremos sempre cúmplices da vida que entretecemos. É, antes, uma aposta em nós mesmos, desfocada do mito do “sucesso”, pautada no ritmo dos dias e noites, e nos encontros reais com os tantos outros desse mundo.
