Aconteceu na última quinta-feira, 4/5, no palco principal do Web Summit Rio, uma conferência com Emma Goldberg do The New York Times, questionando Dan Westgarth COO, da Deel sobre o mercado de trabalho no setor da tecnologia.
Emma iniciou a sessão indagando Dan sobre quais países estão buscando hoje profissionais de tecnologia. Dan começou respondendo que hoje o trabalho em remoto/home office está presente em diversos setores e no setor da tecnologia o trabalho de maneira remota tem se tornado praticamente um padrão.
O executivo da Dell afirmou que hoje todos os países do mundo têm um déficit de profissionais de tecnologia, todos estão contratando, exceto a Argentina, o único país onde a oferta é maior do que a demanda por profissionais de tecnologia.
De acordo com Dan, o trabalho remoto permite hoje que um profissional brasileiro trabalhe para uma empresa americana, europeia ou de qualquer outro país, seja ela grande ou pequena, e que no mercado de tecnologia isso já é bem comum. O Brasil é o segundo país em números de profissionais de tecnologia, somente atrás dos EUA. Ele afirmou que para os brasileiros hoje o trabalho remoto é uma possibilidade para se integrar ao mercado de trabalho global.
Emma perguntou para Dan se a IA pode substituir profissionais de tecnologia e se esses devem se sentir ameaçados. Ele respondeu afirmando que hoje é importante abraçar a IA, e integrá-la ao seu trabalho. Ele acredita que a IA tem um papel importante para mão-de-obra de modo geral, não somente em tecnologia.
Dan comentou que a IA está passando por regulamentações, e que essas mesmas levam a inovações. Ele destacou que na IA é importante se regular o lado emocional de como ela responde, para que ele possa tornar sua utilização e aplicação mais humana.
Erros e acertos
Dan Westgarth citou alguns exemplos de como a IA ainda pode falhar e precisa de uma revisão humana. É o lado emocional que a IA não consegue compreender que ainda a torna dependente de uma intervenção humana. Ele salientou que o lado emocional também tem um fator estimulador para o ser humano, pois em uma empresa de tecnologia que trabalha com o home office, é importante manter o contato humano, e deixar aberta a possibilidade que o funcionário possa ir trabalhar em um escritório por exemplo. Ele acredita que nada deve ser forçado, a possibilidade de interação deve ficar aberta para aqueles que sentem necessidade ou que gostam de interagir, se alguém não gosta de trabalhar em um escritório, ele pode ficar em casa, o que realmente importa é o trabalho que ele fornece.
Emma citou que passar todo o tempo em frente ao computador pode causar um burnout, mas que as empresas em home office precisam saber se seus funcionários estão realmente trabalhando. Ela perguntou ao Dan como lidar com essa situação? Dan respondeu que ferramentas de gestão de tempo são importantes, mas elas não devem controlar o trabalho como um vigia, mas também estimular o trabalho, manter o profissional conectado e também lhe proporcionar uma pausa quando necessário.
Dan continuou respondendo que hoje no trabalho remoto nós temos equipes multiculturais, com colaboradores em diferentes lugares, diferentes países falando diferentes línguas e que essa experiência pode ser muito enriquecedora. De acordo com ele a interação entre colaboradores deve ser incentivada mesmo que de maneira remota, manter um ambiente de trabalho saudável, mesmo se tratando de um ambiente virtual, é crucial.
Dan finalizou dando sua opinião sobre o mercado brasileiro. De acordo com ele, o Brasil está à frente em tecnologia financeira, e que profissionais de tecnologia nessa área vão levar sua experiência e know-how para empresas no exterior, sejam elas americanas ou de qualquer outro país.
