Um amigo empresário me indagou: “por que não te enquadras na realidade de Florianópolis?” E eu retruquei: “ qual a realidade?”. Respondeu: “esta que está aí” E avancei: “você concorda com o modelo de desenvolvimento da cidade?” E ele atenuou: “eu não concordo mas não posso fazer nada; pois seria torpedeado por amigos e inimigos”.
Não se constrói novas lideranças com apenas transigência. Quem sabe por isso que o governador Raimundo Colombo não consegue mudar o secretário da Saúde, Dalmo Vieira que, mesmo com a greve, sumiu, deixando seu adjunto Célio Casagrande na linha de fogo. Da mesma forma, o prefeito eleito César Junior fechou os ouvidos às reações eleitoreiras e fez prevalecer a escolha mais técnica, com rara exceção decorrente de compromisso político.
Um líder se forma com idéias e tenacidade. O jovem alcaide César Júnior deu outra demonstração eficiência, mesmo antes de assumir, ao negar recursos às escolas de samba. Está certo. Por que as escolas têm o direito de se construir com dinheiro público e exigir que o povo pague entrada para assisti-las?. É uma nova liderança que acaba de fugir à mesmice. Quem sabe ele converse mais vezes com o governador Raimundo, dando-lhe conselhos para substituir alguns de seus secretários por técnicos competentes.
As lideranças empresariais de Florianópolis alimentam há mais de quatro décadas o mesmo discurso. E a cidade vive o mesmo falatório e com os repetidos problemas. De um lado fica o gestor municipal a desabafar, do outro a presidente da FloripAmanhã, da Acif, CDL e nada se resolve. Parece que cada um só tem a ambição de ampliar a sua fatia de participação.
É necessário que se acabe com o cárcere das idéias, das propostas e que se comece a cultivar a liberdade de manifestação em respeito ao que a cidade exige: coragem e dignidade.
Não se podem viver com medo de verbos capciosos, ardilosos e capetas. Há muito jogos de interesses que só prejudicam a cidade. São verdadeiros cassinos em que não faltam apostas ao lucro pessoal. É muito fácil taxar pessoas de esquerda festiva, os que emburram ou embezerram a cidade. Isto é estratégia para desviar discussão sobre temas que exigem soluções urgentes para o desenvolvimento social e econômico sustentável.
A cidade não quer e não deve inviabilizar investimentos, desde que não haja prejuízo ao seu crescimento sustentável. Mas há homens de “negócios” que são soberbos e sobejos, se acham inquilinos das alturas, capazes de superar leis e de convencer, de forma opaca, os homens eleitos para legislar. Aliás, são esses homens, os edis, que acabam atrapalhando, por desejos obscuros, a gestão da cidade. Vamos apostar na renovação do legislativo municipal.
Dois guris, de três décadas de idade, vão governar Florianópolis, sem vício – quem sabe – e dispostos a construir suas carreiras políticas imunes aos vícios das velhas e surradas lideranças. Sim, é a hora de estimular essas novas lideranças a romper com uma tradição impetuosa, que ignorou a cultura, destruiu nossos valores e por pouco não anulou todas as construções que testemunham a nossa história.
Precisamos acreditar nas novas gerações. E se esses guris, os jovens alcaides, decepcionarem, vamos eleger outros, mas que não sejam os usados e pervertidos políticos que não souberam sentir a cidade e o seu glamour.
