Para cada situação e local existe uma roupa apropriada: a missa dominical, a escola, o happy hour, a festa de aniversário no clube, a festa de casamento, o dia da faxina. Até aí tudo bem, desde que não troquemos as vestimentas. Imagine você no baile de debutantes da sua afilhada com a roupa do dia da faxina. Não rola, né?
Porque estou falando isso? Vou falar de moda? Não. Vou falar de “armaduras”. Pense nas armaduras como a vestimenta para cada ocasião ou a defesa para cada situação. Se você é uma pessoa de posses, visada, ou quem sabe uma celebridade, talvez um carro blindado seja apropriado, mas até para essa pessoa um passeio nas dunas com carro blindado pode perder a graça.
Algumas pessoas aprendem que não podem confiar em todo o mundo, mas acabam generalizando e assumindo que não devem confiar em ninguém. Então passam a usar uma “armadura de aço” perante todas as pessoas que conhecem e ninguém mais chega perto. Algumas pessoas aprendem que nem tudo vai dar certo, mas esquecem que a maioria das coisas dá. Dessa forma elas passam a evitar tudo que não é completamente seguro e só procuram aquilo do qual já sabem o resultado.
Precisamos tomar cuidado quando escolhemos armaduras de aço para nos proteger. Ao mesmo tempo em que temos certeza de que estaremos mais protegidos e de que nada sairá do nosso controle, o que será que estaremos perdendo? Conhecer pessoas que valham a pena uma armadura bem mais leve? Conhecer situações que por não estar no nosso controle possam ser inesquecíveis? Aprender coisas que por não conhecermos antes nos sentiríamos inseguros e depois percebermos que foram as que mais nos surpreenderam?
Algumas pessoas que se decepcionaram com seus companheiros passam a não confiar em mais ninguém, pessoas que se decepcionaram com amigos passam a se proteger de todos e mantê-los a distancia. Algumas pessoas tiveram péssimas experiências em alguns empregos e passam a rejeitar todo tipo de trabalho que as lembram deles, generalizando pessoas, coisas e situações. Alguém que já teve prejuízos ou quebrou diz que jamais quer ter seu próprio negócio.
A vida é para ser vivida, riscos são para ser corridos, pessoas são para se socializar, pois sem isso a vida fica muito chata. Não digo para você não ter sua armadura no armário, mas sim que tenha várias. É para isso que vivemos algumas situações: elas servem para nos fortalecer e não o contrário. Quando falo de várias armaduras quero dizer de algodão, de cera, de chocolate, de seda, de lata, de alumínio, de ferro, de aço, de diamantes. Mas lembre-se de que ferro enferruja na praia e armadura de aço não serve para esquiar. Assim como cada situação pede uma roupa específica, cada ocasião pede uma armadura exclusiva.
As pessoas mais bem sucedidas correram riscos, independente da área de sucesso. Portanto é preciso calculá-los, mas não deixe de arriscar. Se você estiver usando a armadura errada pode não aproveitar o melhor do momento que está vivendo agora. Qual é a sua armadura para este momento?
