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Proximidade entre rádios e artistas locais é importante para estimular música catarinense
16 de Novembro de 2021

Proximidade entre rádios e artistas locais é importante para estimular música catarinense

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A relação entre as rádios e os artistas catarinenses foi um dos temas debatidos na quarta edição do TUM Sound Festival, realizado no último fim de semana em Florianópolis. O painel sobre o assunto reuniu músicos e representantes de emissoras e teve como mediador o músico e DJ Jean Mafra. 

Ele destacou que o crescimento de Florianópolis desde a década de 1970 fez mudar o cenário musical local. “Já tivemos cenas muito importantes nos anos 80, com o grupo Engenho e o Expresso Rural. Nos anos 90 tínhamos bandas como Primavera nos Dentes e Phunky Buddha, um cenário autoral de primeira qualidade. Depois, veio outra cena, com o Clube da Luta, um coletivo que reuniu grupos como Aerocirco, Tijuquêra e Samambaia Sound Club. E atualmente a gente tem produção incrível em todo o Estado, mas tem uma dispersão geral”. 

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Felipe Nunes, cantor e compositor que mora na capital há oito anos, comentou que sente falta de uma organização da própria classe artística e que há falta de interesse do público. “As rádios não tocam os independentes porque a galera, de fato, não vai ouvir. As pessoas têm o vício de ouvir o que é familiar aos seus ouvidos. Creio que falte uma organização da cena em geral para que se chegue nas rádios de forma consistente”.    

O trabalho de Daniel Silva, do site Rifferama foi lembrado. “Ele compartilha semanalmente todos os lançamentos de trabalhos de artistas de Santa Catarina. É muita coisa. Mas muitos artistas sequer sabem que ele faz isso”, disse Mafra. 

Na avaliação de Porã Bernardes, head de rádios da NSC, houve mudanças no comportamento do público. “Antes as pessoas sabiam quais rádios tocavam quais bandas e acompanhavam. E elas também tinham uma cultura de ir aos shows procurando conhecer um artista. Iam em busca do novo. Hoje as pessoas vão muito mais guiadas pela manada, arriscam menos. Não sei se é uma questão geracional”.

Zuca Campagna, jornalista e produtora da Rádio Udesc, destacou que a emissora busca abrir espaço para divulgar muitos artistas catarinenses. “Muitas vezes, porém, temos dificuldade para atualizar o acervo, pois as coisas não chegam até nós. Não recebemos material de gravadoras”, lamentou.

Daniel Morelo, radialista que atua no Estado do Espírito Santo, onde produz o programa Sorvetinho FM para divulgar artistas capixabas,disse que é inevitável que as rádios comerciais tenham preferência pela produção de artistas consagrados e de amplo apelo popular.

De acordo com Morelo, a cena musical de uma cidade, independente do estilo musical, é feita pelos próprios artistas. “Cada geração faz a própria cena”, considerou. Na visão do radialista, a música independente vai existir onde há uma cena independente. Mas querer enfrentar o poder das gravadoras é tarefa árdua demais. “A cena independente resiste por causa da qualidade da própria música independente”, sentenciou.

Sobre o festival

O TUM Sound Festival e Conferência de Música e Negócios reuniu na capital catarinense, entre os dias 12 e 14, músicos, produtores e outros profissionais do setor de 20 estados do País. A conferência, cujo objetivo é fomentar o ecossistema musical, conectando a cadeia produtiva da música e de redes criativas por meio de rodadas de negócios, palestras, painéis, workshops e showcases de 16 bandas e artistas, foi transmitida pela Internet e teve audiência em seis países.  

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