A ascensão do Netflix e o surgimento de vários concorrentes (Apple TV, Amazon Prime, HBO Max, Disney +) precede o ano de 2020, que mudou tantas indústrias e costumes das pessoas. Entretanto, no caso do cinema em específico, a volta ao “normal” não será um retorno ao que era em 2019.
Aos poucos os cinemas estão podendo receber as pessoas com máxima capacidade. Segundo o FDR no Rio foi liberada a venda e lotação de 100% dos ingressos ainda em outubro de 2021. Já na cidade de São Paulo o distanciamento mínimo de um metro entre as cadeiras foi retirado no mesmo mês. A máscara segue sendo obrigatória.
No resto do mundo as medidas também foram sendo relaxadas para um dos setores que mais foi punido pela pandemia. As regras de capacidade, distanciamento e pedido de vacinação completa mudam de caso para caso.
Entretanto, nessa volta aos cinemas o espectador vai encontrar uma realidade completamente diferente.
Red Notice é um bom exemplo
O filme Red Notice (Alerta Vermelho) foi lançado no dia 5 de novembro nos cinemas. O custo foi de 200 milhões de dólares, em uma das produções mais caras da história. Estima-se que o retorno nos cinemas foi de 2 milhões de dólares.
Antes que você ache que esta foi a maior catástrofe da história do cinema é preciso explicar que os parâmetros mudaram completamente. O Netflix adquiriu os direitos de distribuição e o filme tornou-se o mais assistido da história da plataforma, com mais de 300 milhões de horas em apenas 18 dias.
O lançamento nos cinemas de diversos filmes atualmente é algo bastante limitado, direcionado a puristas e para uma jogada de marketing inicial. A maior parte das pessoas irá assistir em casa, no celular, com os amigos em algum serviço de streaming.
Premiações
Os grandes estúdios são uma realidade de Hollywood há mais de meio século. Entretanto com a pirataria, a internet, más decisões e gestões, os orçamentos cada vez maiores e para finalizar as empresas de tecnologia chegando com tudo, essas enormes empresas estão tendo que se adaptar ou fechar as portas.
Mas ainda havia a última fronteira que era as premiações. O Oscar é uma festa da indústria e ainda um lugar onde os grandes estúdios podiam se promover e manter seu status.
Isso também não é mais o mesmo. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas tinha como um dos pré-requisitos para considerar um filme um lançamento em cinemas com um número de salas considerável e uma semana de exibições. Para 2021 teve que mudar essa regra, permitindo que filmes que só foram exibidos via streaming fossem considerados também e em 2022 manteve essa regra. Agora que essa porteira se abriu será difícil fechar.
Mas antes disso Roma já tinha desafiado o status quo, sendo considerado favorito para o Óscar de Melhor Filme em 2019, mesmo tendo um lançamento reduzido nos cinemas – só para alcançar a quota imposta – e tendo protagonismo no Netflix. Entretanto, o filme de Alfonso Cuarón perdeu para Green Book.
Logo um filme lançado especialmente para streaming terá essa honraria. No Oscar de 2021 o Netflix venceu sete estatuetas por cinco filmes diferentes: melhor curta animado, melhor curta de live action, melhor documentário, melhor maquiagem, melhor figurino, melhor direção de arte e melhor cinematografia. Os dois últimos por Mank, que foi o filme com mais indicações (10).
Já a Amazon também ganhou dois prêmios técnicos, com melhor som e melhor edição/montagem.
Ainda terá espaço pros cinemas
Os cinemas ainda terão seu espaço no futuro, já que além da exibição do filme, é oferecida uma experiência que não terá paralelo na sala de um apartamento ou casa. O som, a tela grande, o contato social, a pipoca, ir até o local, enfim, cada pessoa tem um sentimento diferente que ainda será valorizada.
Além disso, cada empresa de streaming terá uma política diferente para valorizar suas produções. A Disney anunciou que seus filmes ficarão 45 dias sendo exibidos nos cinemas antes de entrar no Disney +. Dar prioridade para uma fonte de renda que ainda é considerável é bom para os negócios, sem dúvidas.
