Salim Miguel, um escritor diferenciado
28 de Novembro de 2012

Salim Miguel, um escritor diferenciado

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Tudo que se possa fazer para homenagear o escritor Salim Miguel é pouco, pois não conseguirá dar a dimensão do ser humano que ele é.  Com o melhor amigo do meu pai, ouvi dizer, por diversas vezes que me conhecia antes mesmo de eu ter nascido. Ainda na barriga da mãe ele já dizia me conhecer. Acho até que ele tem razão.  Esse bruxo-líbano-biguaçuense foi encantando e incomodando a cidade pela palavra, pela escrita e pelo humanismo. Até que o prenderam, ele e a Eglê, colocaram fogo na livraria dele e os expulsaram da Ilha. Com a mulher e os filhos, Salim foi tentar a vida na cidade maravilhosa. Vida difícil para quem só sabia escrever e falar sobre ideias e ideais. Como ele próprio fala, “Existe escritor que diz que não escreve para o leitor. Ninguém deve escrever para o leitor, mas ninguém deve esquecer o leitor, que é coisa diferente de escrever para o leitor. E eu escrevo por uma necessidade interior, eu escrevo porque não sei fazer outra coisa a não ser ler e escrever. Eu não sei trocar uma lâmpada. Eu só sei ler, escrever, ouvir música e conversar. Eu sou conversador impenitente que enche a cara do leitor, do meu ouvinte falando demais”.

Assim que a vida permitiu, ele voltou à Ilha. Agora com um batalhão de amigos. A Literatura, a palavra e a amizade foram suas armas. Um dia, o Aníbal Nunes Pires, de quem eu sempre ouvia maravilhas desse meu amigo invisível, nos deixou. Logo depois, minha vida se cruza com a do Salim, agora fora do ventre da minha mãe. No início, ouvia suas histórias com atenção e lamentava não ter uma câmera para gravar e dividir o prazer de ouvi-lo com meus amigos. Fiz o contrário, levava meus companheiros de curso de jornalismo na editora da UFSC, onde trabalhávamos, para escutá-lo: “outra coisa que eu repito sempre é que o autor escreve e o leitor reescreve. E quanto mais reescrevedores tem um autor, tanto melhor. É que a obra dele está atingindo um público maior e o leitor está ao mesmo tempo lendo aquilo que o autor escreveu, mas está também fazendo a sua própria versão daquilo que estava escrito”.

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Salim me apresentou o que era simples e importante para a vida: amor, amigos, livros, arte, intuição, dedicação e estudo. Ele me mostrou que o cinema era possível mesmo em Santa Catarina e me revelou o humanismo como uma das melhores formas de encarar a vida. Sem nenhum sentimento de retribuição ou comparação, Salim Miguel fez o que meu pai, seu grande amigo, tentou praticar em outrora. Sobre o cinema também me disse: “Chega um dia em que as salas escuras não bastam. Há necessidade da pessoa que se interessa por cinema se experimentar, fazer também suas tentativas”. E ainda arrematou: “Uma coisa curiosa é que eu percebo nitidamente que há uma influência do cinema na minha literatura, mas os meus livros não são facilmente, nem sei se serão adaptáveis para o cinema, embora a influência do cinema seja visível na questão visual, eu procuro muito além do psicólogo e social que tem na minha obra, ou que pelo menos eu imagino que tenha, há também o visual, há também cenas onde a pessoa estivesse mais vendo do que simplesmente percebendo aquilo que eu estou dizendo”.

Do escritor que se tornou quase um pai prá mim, pensei como um desafio: ainda tenho que fazer um documentário sobre esse amigo especial! Não imaginava que teria que vencer tantos medos interiores para finalizar um documentário de uma pessoa tão próxima. Melhor seria mesmo correr da raia. Até que chegaram alguns colaboradores. DeGuga, meu principal assistente, Anderson e Gustavo. Os três alunos do Curso de Cinema da UFSC, além da professora e tradutora Luciana Rassier.  E o documentário? Sempre adiado até hoje. Difícil muito difícil encontrar um FIM. Que as singelas imagens desse filme consigam transmitir um pouquinho da sede de viver e conviver que Salim Miguel esbanja nos quase 89 anos de vida.

Eu, meu pai e toda legião de amigos agradecem: Obrigado Salim Miguel!

Maktub!

Zeca Nunes Pires, cineasta.

 

CLAQUETE

“Salim na intimidade – Maktub” , é um documentário sobre a vida e a obra do escritor Salim Miguel, dirigido por Zeca Nunes Pires. Realizado pelo Núcleo de Documentários do DAC/SECULT/UFSC, o filme vem sendo gravado desde 2004 quando o escritor completou 80 anos. O documentário narrado pelo próprio escritor e por amigos, aborda o processo de criação, o Grupo Sul e os momentos íntimos da vida de Salim Miguel. A equipe do documentário é composta por estagiários do Curso de Cinema da UFSC. Gustavo Remor Moritz e Anderson Brito estão neste trabalho desde 2009 nas áreas de filmagem e edição, além de Gustavo Triani, que iniciou neste ano na digitalização iconográfica do filme. A professora de tradução da UFSC Luiciana Rassier, tradutora do livro de Salim Miguel, “Primeiro de Abril”, para a língua francesa, colabora como pesquisadora.”Salim na intimidade – Maktub”, tem pré-estreia marcada, encerrando a programação de Arte  do DAC, no dia 7 de dezembro, sexta-feira, às 10:00 hs (manhã), no Teatro da UFSC (Igrejinha).

 

– BRDE e o cinema. Poucos sabem que o BRDE apoia o cinema do Sul do Brasil desde os tempos de Teixeirinha. A partir deste ano, é o Banco Regional do Extremo Sul a instituição que passou a ser o novo agente financeiro a operacionalizar as linhas de ação do Fundo Setorial do Audiovisual/ANCINE, nada mais justo, que o Banco – juntamente com os estados do RC, SC e PR – crie uma carteira especial para o desenvolvimento do audiovisual nos estados de atuação prioritária e tradicional. Penso que deve ser essa a principal proposta do Seminário que o FUNCINE (Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis) promove nos dias 26, 27 e 28 de novembro no FLOPH (Florianópolis Palace Hotel). O Evento vem em boa hora.

–  Back na área. A exibição de “O Contestado, restos mortais”, de Sylvio Back, em Canoinhas, no dia 26/11,  teve o Cine Luz lotado e contou com a presença do diretor Back e do assistente Zeca Nunes Pires, de colaboradores como Fernando Tokarski, de professores e de autoridades, como o prefeito de Canoinhas Leoberto Weiner.
Hoje (27/11) e amanhã (28/11) são os alunos da rede pública que assistem ao documentário às 9 horas no Cine Que Luz, de Canoinhas.
A maratona de exibições gratuitas continua: ainda hoje às 20 hs em Mafra, num cinema com 900 lugares que a UNC promete lotar. Amanhã (28/11) em Calmon e Matos Costas, quinta (29/11) em Caçador e sexta (30/11) no Campus da UFSC de Curitibanos. O filme tem o apoio institucional da UFSC e está sendo exibido gratuitamente na região para apoiadores, alunos de escolas públicas, autoridades e interessados.

– FSA/ANCINE, inscrições prorrogadas. As inscrições para a Chamada Pública das linhas de fluxo contínuo do Fundo Setorial do Audiovisual – Prodecine 02 (Linha C: aquisição de direitos de distribuição de longas-metragens nacionais); Prodecine 03 (Linha D: comercialização de longas-metragens nacionais no mercado de salas de cinema); Prodecine 04 (Linha A, Modalidade Complementação: produção de longas-metragens nacionais independentes), e Prodav (Linha B: produção de obras audiovisuais para o mercado de televisão) – foram prorrogadas por 180 dias. O prazo final para a inscrição passou a ser 31 de maio de 2013.
Para inscrever um projeto é necessário preencher e finalizar a inscrição eletrônica específica para cada um dos processos de seleção, todos disponíveis no portal do BRDE, agente financeiro do Fundo Setorial do Audiovisual.

 

-Homenagem à Waldir Onofre. Dia 30 de Novembro de 2012, será feita uma homenagem ao primeiro cineasta negro brasileiro a abordar a questão racial e um dos primeiros cineastas negros do Brasil, WALDIR ONOFRE. Para quem não sabe, Waldir Onofre é pai da Lelete Couto, diretora e amiga, que morou vários anos na Ilha de SC.

Neste mesmo dia também será homenageado, *com a presença de ambos*, outro pioneiro do cinema negro: ANTONIO PITANGA.
Programação:
DIA 30/11 – SEXTA-FEIRA (HOMENAGEM AOS PRIMEIROS CINEASTAS NEGROS DO BRASIL)
14:00h – “ALMA NO OLHO”, curta-metragem de Zózimo Bulbul (1978), 12 min (10 Anos)
14:15h – “AS AVENTURAS AMOROSAS DE UM PADEIRO”, de Waldir Onofre, 1975, 95 min (14 Anos)
15:00h – Homenagem aos Primeiros Longas – Cajado Filho(1949) a Zózimo Bulbul(1988)
ESTARÃO PRESENTES OS DIRETORES PIONEIROS WALDIR ONOFRE E ANTÔNIO PITANGA.
15:30h – “NA BOCA DO MUNDO”, de Antonio Pitanga, 1978, 106 min (14 Anos)
17:30h – MESA DE DEBATE – Tema 5:”Os primeiros cineastas negros”

Tarantino.  O Quentin Tarantino, diretor do consistente  Bastardos Inglórios, acha que  “diretores não melhoram conforme envelhecem”, disse  que “Geralmente, os piores filmes de um diretor são seus quatro últimos. E um ruim acaba com três bons. Quando um diretor perde a validade, não é nada bonito. Vou parar quando tiver que parar, mas, em um mundo ideal, eu diria que uma filmografia com dez filmes seria ótimo.”

Direitos Humanos. A 7 Mostra Cinema e Direitos Humanos, acontece de 3 a 8 de outubro no auditório da CESUSC, em Florianópolis. O objetivo da Mostra Sul é estabelecer um diálogo franco e direto com o povo brasileiro sobre seus direitos fundamentais. Mais do que assistir a filmes, trata-se de um convite ao debate, à reflexão, para construirmos juntos um país que valorize a diversidade e garanta o respeito aos Direitos Humanos. A coordenadora do evento por aqui é a Luiza Lins. Mais detalhes: http://www.cinedireitoshumanos.org.br/2012/florianopolis

 

As Mortes de Lucana,  é o mais recente curta de Alceu Bett, de Joinville.
Histórias permeadas de poesia e literatura contam a relação entre amor,
morte e filosofia presente na mente e alma de Lucana, vivida pela
portuguesa Paula Pinto. Em uma obra de curta duração, as angustias dos
personagens se entrelaçam entre realidade e loucura. As Mortes de Lucana constrói um ambiente subjetivo, repleto de significâncias metafóricas compartilhadas por Graco,  protagonizado pelo ator catarinense Robson Benta.
Com a participação especial do francês Dany Adams, o filme foi rodado em
Joinville e São Francisco do Sul, sob  direção de Alceu Bett. A iniciativa
tem patrocínio do Sistema de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec),
produção da Cooperfilm e co-produção da Sentidos Ilimitados de Lisboa. Com o argumento de Fernando Karl e roteiro realizado (4 mãos) com o diretor Alceu Bett, o curta-metragem de 19 minutos propõe uma abordagem  contemporânea e poética.
http://www.facebook.com/asmortesdelucana

 

“A primeira vez que eu disse… ou o que é…”, do diretor Sido Emu,foi o grande vencedor do Catavídeo 2012. Os editores desse curta que surpreendeu positivamente foram Deguga Moritz e Anderson Brito. O CATAVÍDEO é uma mostra anual de vídeos catarinenses realizada pela Associação Cultural Alquimídia e FUNCINE – Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis. Criada no ano de 1999, o evento está consolidado dentro do calendário anual de mostras e festivais de cinema e vídeo do país.

Mutum no Kino da UFSC. O próximo Café Kino será realizado no dia 5/12, quarta-feira,  às 12 hs, no Teatro da UFSC, com a exibição do filme Mutum, de Sandra Kogut, seguido de debate com o professor Jair Fonseca, do Curso de Cinema da UFSC.

http://www.mutumofilme.com.br

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