
O publicitário lançou uma provocação aos presentes: “se você faz Comunicação, você deve começar a olhar o Consumidor como Pessoa e não mais como um simples consumidor. O consumidor é diferente de pessoas. A publicidade vem experimentando uma forma nova de fazer comunicação com pessoas. E , cada vez mais, terá que ser humanizada, personalizada e procurar entender os desejos das pessoas.
Tiago usou como exemplo a diferença entre o Tiago profissional de planejamento de uma das mais importantes agências de propaganda do Brasil e do Mundo com oTiago pessoa que surfa, bebe cerveja com os amigos, viaja o mundo para acompanhar os shows da banda AC-DC, anda de moto em SP diariamente etc.
Ilustrou o tema de sua palestra com cases da Fiat, Carrefour e do HEMOBA-Hemocentro da Bahia que convocou a torcida do Bahia para doar sangue em nome do Clube de Futebol e assim ter de volta a cor vermelha retirada das listras da camiseta do time. O que orientou essa ação foi a constatação de que as pessoas só doam sangue para alguém que amam muito,. Então, essa foi a estratégia para uma ação que gerou 46% de aumento nas doações no período programado para alcançar 25%.
No debate Nelson Santiago colocou para os presentes discutirem como trazer para a realidade regional os ensinamentos da apresentação de Tiago Lara. Rosa Estrella fez uma leitura do perfil das empresas catarinenses, na maioria dirigidas por familiares, que não têm a cultura para implementar ações como as apresentadas nos cases e que muito trabalho ainda há que se fazer para iniciarem-se ações dessa natureza. Julio Lohn defendeu a pertinência dessas ações no varejo e mostrou que sua empresa prepara constantemente suas equipes para melhorar o relacionamento com os consumidores para entender seus comportamentos e, assim, melhorar a comunicação nos PDVs.
O mediador lembrou a campanha VEM PRA RUA e perguntou se aquela ação teria sido o estopim para as manifestações que chamaram o povo usando com o jargão da campanha. Tiago disse que não foi o estopim mas que antecipou uma reação do povo que mais cedo ou mais tarde iria cobrar atitudes dos governantes. A FIAT criou aquela ação baseada no sentimento do povo que não vai aos estádios, mas vai pras avenidas comemorar o titulo do seu time. “A Leo, com base em pesquisas focou o segmento dos excluídos que usam as ruas para comemorar e também para protestar. Hoje o povo tem acesso a produtos de consumo que antes não tinha como geladeira, televisor, internet em casa etc..E isso lhes tem mostrado itens de conforto de outros países e classes sociais, gerando essa sensação de excluídos da sociedade. Isso, sim, teria sido o estopim para as manifestações”, disse Lara. Perguntado se a FIAT retirou a campanha do ar devido às manifestações, Tiago negou: “a campanha veiculou até a data que estava programada anteriormente.”
