Por Fernando Wisintainer, sócio proprietário da Soulvenir e atual Diretor de Marketing do Floripa Convention & Visitors Bureau.
Poucas associações sofreram tão duramente os impactos das restrições impostas como resposta ao avanço do contágio da Covid-19 como o Floripa Convention & Visitors Bureau, entidade que congrega mais de uma centena de empresas ligadas ao trade turístico e de eventos da Grande Florianópolis. Como parte da sua necessidade de reinvenção frente a este contexto desfavorável, o FCVB criou o Barômetro, ferramenta mensal de consulta junto aos seus associados como forma de captar as impressões e impactos do “novo normal” por parte das maiores lideranças deste importante segmento empresarial.
Em abril, em meio ao clima mais tenso da crise sanitária, os associados da entidade foram convidados a preencher um questionário mensal, sintético, focado em percepções ligadas a pandemia e composto por questões como: “qual é o seu nível de otimismo para em relação a economia do Brasil para os próximos 6 meses?”, “Sua empresa cortou vagas de trabalho durante a pandemia?”, mas também outras voltadas para a análise do ambiente político “Como você avalia a atuação do Governo Estadual perante a crise da COVID-19?”. A entidade queria ouvir e os associados prontamente responderam.
Os resultados obtidos geraram um norte sobre como a entidade deveria se posicionar, quais eram as maiores dores dos empresários e como o Convention local poderia colaborar para minimizá-las, mas, além disso, o Barômetro ajudou a construir, como efeito colateral, um dos mais relevantes mapeamentos sobre as mudanças de ambiente ocorridas durante essa crise, um material preciso onde podem ser constatadas tendências acerca da percepção temporal de efetividade de planos econômicos emergenciais e também sobre o modus operandi predominante do empresariado da nossa região frente a uma catástrofe que os atingiu em cheio (e que para muitos ainda permanece causando prejuízos).
É interessante perceber por exemplo a mudança da aprovação da gestão do Governo Estadual após o estouro da crise dos respiradores, de positiva em abril caindo para predominantemente negativa a partir da pesquisa de maio, e em julho obteve sua pior avaliação, com notas iguais ou abaixo de 4 para mais da metade dos associados numa escala de 1 a 10. Também é perceptível a mudança de posição dos associados sobre a melhor forma de combater o contágio, onde em abril 40% dos consultados que responderam a pesquisa eram favoráveis às medidas de isolamento social, percentual que caiu para menos de 10% nos últimos três meses de coleta de dados. As medidas encaminhadas pelo Governo Federal ligadas aos acordos coletivos de trabalho (suspensões e reduções de jornadas de trabalho) receberam aprovações positivas impressionantes. Foram, sob o olhar deste segmento, intervenções muito bem avaliadas desde o início da sua vigência, sempre mantendo mais de 50% de reconhecimento positivo desde abril, com pico de avalição em julho onde quase 65% dos entrevistados avaliaram com notas iguais ou superiores a 8.
A pandemia não está finalizada como todos nós desejávamos, muitos empresários ainda não conseguem enxergar o fim da crise e há, conforme pode ser checado no mesmo Barômetro, uma tendência grande de fechamento de empresas e, por consequência, postos de trabalho nos próximos meses. Contudo há também dados advindos desta pesquisa que sinalizam para uma retomada, tanto no que diz respeito a resultados financeiros que já voltam a aparecer, como o próprio sentimento dos empresários associados ao Floripa Convention & Vistors Bureau de que vale a pena voltar a investir. Se a economia da nossa região depende da confiança destes tomadores de decisão para o seu pleno reaquecimento, seria aconselhável que as lideranças políticas tratassem com o devido carinho e atenção as sinalizações contidas neste documento.
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