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Pela 1ª vez em 20 anos, Prêmio Shell de melhor ator pode ir para um negro
02 de Março de 2023

Pela 1ª vez em 20 anos, Prêmio Shell de melhor ator pode ir para um negro

Nos quartos do CRUSP, Clayton começou a alinhavar a dramaturgia do espetáculo "Macacos"

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Quando Maria do Carmo, uma manicure da periferia de São Paulo, ouviu de uma cliente que o teatro seria um caminho para tirar o filho das ruas, ela não pensou duas vezes. Pediu bolsa para o menino na Casa do Teatro, tradicional escola paulista, dirigida por Lígia Cortez. A partir dali o destino daquele menino preto, periférico e de família nordestina ganhava novos contornos.

O esforço para superar desafios

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Clayton Nascimento vem de família piauiense e cresceu no Jabaquara, na Zona Sul de São Paulo. A mãe manicure e o pai comerciante não conseguiam pagar os estudos do filho, mas o apreço pelo aprendizado e o talento do jovem artista, garantiram as bolsas de estudo que o ajudaram na sua formação.

O trabalho incessante o levou ao curso de mestrado na concorrida Escola de Comunicação e Artes da USP – a Universidade de São Paulo. “O resultado de todo esse esforço é que 20 anos depois, acabei me tornando professor na mesma Escola Célia Helena, onde havia pedido bolsa quando criança para estudar”, enfatiza o ator.

A inspiração no dormitório da USP

E foi nos quartos do CRUSP que ele começou a alinhavar a dramaturgia do espetáculo “Macacos” que já rendeu um livro, que é sucesso de vendas, publicado pela prestigiada editora Cobogó.

No teatro vem arrebatando plateias nas cidades por onde passa. “A peça ‘Macacos’ fala sobre a estruturação do racismo no Brasil a partir do olhar de uma pessoa negra, e tenta contar, como esse “xingamento” se tornou um dos mais populares no país e fora dele”, comenta Clayton.

Os prêmios como recompensa

Superar obstáculos sempre foi um desafio e por isso cada conquista é tão comemorada. O espetáculo “Macacos” é um sucesso de crítica e de público, e já soma mais de 10 prêmios conquistados em festivais nacionais.

Clayton Nascimento recebeu a indicação de Melhor Dramaturgo e ganhou o prêmio de Melhor Ator de teatro do ano, ambos pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte. E a indicação agora para o aclamado prêmio Shell de teatro, uma das mais importantes premiações de teatro no país, é considerada por ele a cereja do bolo.

Gratidão e responsabilidade

Clayton é o único ator preto entre os seis finalistas indicados pelo júri do Prêmio Shell de São Paulo. “Me sinto íntegro e honesto comigo mesmo depois de seis anos de trabalho até a primeira temporada acontecer em São Paulo, no Centro Cultural, o CCSP”, afirma o ator.

Clayton tem consciência da sua representatividade em relação a parcelas importantes, e quase sempre discriminadas, da população, mas fala de gratidão por ter chegado a esse momento da carreira. “Sinto que meus pais estariam orgulhosos se estivessem aqui. Valeu a pena tantos anos de estudos. Me sinto honrado de concorrer a um prêmio desse calibre, ao lado de nomes consagrados como Odilon Wagner, Zé Carlos Machado, Luiz Lobianco, Rodrigo Pandolfo e Paulo Marcello”, comenta o ator sobre a indicação ao Prêmio Shell.

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