Os Tesouros de Camboriú
No início de maio fui até Camboriú dar uma espiada no III CineramaBC. Embora tenha ficado pouco tempo, tive uma boa impressão do Festival. Comentários de amigos confirmaram meu “feeling” sobre o evento que está iniciando bem e tem tudo para dar certo. Falta uma aproximação ainda maior com o público, talvez fosse o caso de uma divulgação mais ampliada com o público universitário, sobretudo, com estudantes e professores de cinema, jornalismo, publicidade, designers, história e antropologia. Quero dizer que vários segmentos da sociedade podem ter interesses e olhares diferenciados para um melhor aproveitamento do evento. Mas, a grande surpresa que encontrei e gravei uma longa entrevista foi com o colecionador Fernando Delatorre, que aos poucos está montando um dos maiores acervos particulares de equipamentos de imagem e som do país. O acervo tem aproximadamente 500 peças entre inúmeras lanternas mágicas, projetores e filmes de diversas bitolas (S8mm; 8 mm; 9,5 mm; 16 mm: 28,5 mm; 35 mm e 70 mm), filmadoras, fotômetros, coladeiras, máquinas fotográficas, lambe-lambe, gramofones, fonógrafo de Thomas Edson, rádios, televisões e muitas outras raridades. Delatorre está construindo um edifício de 4 andares, em frente ao Cine Itália – também de sua propriedade e com capacidade para 700 espectadores – onde irá abrigar o Museu da Imagem e do Som em Balneário Camboriú. A família Delatorre tem uma tradição na paixão pela sétima arte, seu pai Eduardo construiu o primeiro cinema do município – o Cinerama, com tecnologia para exibir películas em 70 milímetros. Em 1973, Eduardo Delatorre inaugurou um dos únicos cinemas drive-in do país. O Auto Cine, com capacidade para 350 veículos foi durante muitos anos a sensação de Balneário Camboriú. A tela do Auto Cine da altura de um prédio de 4 andares, foi destruída no ano passado quando o filho Fernando Delatorre tentava o tombamento do patrimônio pelo município de Balneário. Cansado de buscar apoio em órgãos públicos, Fernando Delatorre está montando com recursos próprios um dos maiores acervos de imagem e som do Brasil. Visita obrigatória para qualquer cinéfilo ou estudante de cinema. Veja mais sobre o acervo do Fernando Delatorre em: www.misbc.com.br A premiação do III CineramaBC pode ser acessada no site.
Daniel Lucena, amigo íntimo da boa música, em doc.
Não precisa conhecer o contexto musical em Santa Catarina e seus desdobramentos nas últimas décadas para admirar o trabalho de Daniel Lucena. Basta gostar de boa música para conhecer o excepcional talento de Lucena. Agora se você acompanha a história musical em nosso Estado nos últimos 30 anos, com certeza sabe da importância de Daniel Lucena neste cenário. Na verdade, seu trabalho transcende as fronteiras catarinenses e a área musical. Eu tenho o prazer de dizer que sou amigo dele. Dono de um bom papo, gozador daqueles que não perdem a piada, Lucena é um grande ser humano. Portanto, ao mesmo tempo em que a trajetória e obra Daniel Lucena merecem muitos olhares e que deve ser difícil fazer um trabalho desinteressante sobre ele, paradoxalmente, penso no peso dessa responsabilidade e no grande desafio em realizar um documentário sobre ele. E como isso é combustível para boas obras, um grupo de intrépidos realizadores liderados pela dupla Jhonatan Matos e Luiz Maffei (formandos no Curso de Jornalismo) em parceria com Gustavo Remor Moritz (formado no Curso de Cinema da UFSC/2012) e a fotógrafa Lenka Aguiar Baranenko, resolveu meter bronca e rodar um doc. sobre o autor de hits como “Nas manhãs do sul do mundo”, “Reggae na casa amarela”, “O sol nasce no sul” e “Certos Amigos”. Esta última música é o nome do documentário. A trajetória de Daniel Lucena, narrada no documentário, é muito ligada à banda Expresso Rural, ícone dos anos 80 e 90 em Santa Catarina e da qual é músico. “Certos Amigos” tem estreia prevista para julho/2013. É aguardar e curtir!
Cinema e cidadania no Centro Histórico de São José
Quem conhece a trajetória do produtor Claudinho Rio deve ter estranhado um certo sumiço dele do cenário cultural nos últimos anos. Isso porque Claudinho nunca parou de agitar projeções e debates cinematográficos nos lugares nos quais, até então, nunca chegara o cinema. Como líder do Grupo Nação, ele fez muito mais que isso. Levou cinema e cidadania às favelas, penitenciárias e outros locais de difícil acesso da Grande Florianópolis mostrando a possibilidade dessas comunidades também de se expressar através do audiovisual num verdadeiro exercício de cidadania. Quem é do ramo sabe que um cara desse não para. E não para mesmo. Agora, o Grupo Nação, anuncia abertura do Cine Nação, sala de cinema com 100 lugares, que é parte do Centro Cultural Nação Brasil, instalado no Centro Histórico de São José, em frente ao antigo Cine York.
Em 10 anos de atuação o Grupo Nação, através de um dos seus projetos, o “Cinema na Favela”, conquistou vários prêmios de reconhecimento, no estado de Santa Catarina e no Brasil, atendeu e beneficiou mais de 30 mil jovens e trouxe ao estado, para debates, oficinas, workshop e intercâmbio de experiências, mais de cem personalidades do cinema, da politica, da comunicação e das artes nacionais, como: Cacá Diegues, Lazaro Ramos, Malu Mader, Beto Brant, Ailton Graça, Paulo Sacramento , Fabiano Gulane, Joelzito Araújo, Kátia Lund, Isabel Filardis, André Ramiro, Sergio Loroza, Tom Zé, MV Bill, Zezé Mota, Thaide, Paulo Lins, Jeferson De, Flávio Bauraqui, José Junior, Leandro Firmino, Rodrigo Pimentel, Luiz Eduardo Soares, Siro Darlan, Roberta Rodrigues, entre tantos outros. Desta troca de experiências, com profissionais, entidades e instituições de outras regiões do país, com reconhecida atuação social e cultural, foi possível, o Grupo Nação, construir uma rede de parceiros, no centro do país, que contribuíram para a criação e construção do Centro Cultural Nação Brasil, que vai funcionar, incialmente, com uma Sala de Cinema (Cine Nação), um Atelier de Moda e um Centro de Estética, oferecendo à população da grande Florianópolis, oportunidades de acesso a oficinas, workshop e cursos, promovendo a qualificação profissional e geração de renda.
O Cine Nação, que começará a funcionar no final de maio, em São José, é a única sala de cinema, fora dos shoppings da cidade. Com o funcionamento do Centro Cultural, deverá preencher uma lacuna, não só pela ausência e oferta de opções de espaços e atividades culturais no munícipio, mas também num momento em que parte dos espaços públicos da cidade de São José, estão subutilizados ou em situação de abandono, como o caso do histórico Teatro Adolpho Melo, que foi, recentemente, fechado pela defesa civil.
Segundo Claudinho, a programação de filmes do Cine Nação, “será montada, sem diferenciar ou se preocupar com o que se convencionou chamar de cinema arte ou indústria do entretenimento, e sempre priorizando filmes de qualidade e as produções nacionais”.
Este projeto do Grupo Nação, só foi possível, em função do apoio de várias empresas de Santa Catarina e do Brasil, entre elas: Coral Tintas, Singer do Brasil, Correios, Blumenau Iluminação, Audaces e Santa Clara, e está disponível e interessado em receber investidores que acreditam nas artes, como empreendimento que gera emprego, cria fontes de renda, humaniza as cidades e promove a cidadania.Cine Nação, capacidade de 100 lugares localizado na Rua Gaspar Neves, 14 no Centro Histórico de São José. Telefone: 48-9992 9209 | [email protected]
Claquete
– FAM de todos. De 14 a 21 de junho o FAM vai novamente sacudir o ambiente audiovisual do Mercosul, promovendo muitas exibições, instigando debates, mostrando caminhos e possibilidades para a produção audiovisual e brindando mestres e instituições que ao longo dos anos promovem e fomentam a arte e a economia cinematográficas. O 17º. FAM – Festival e Fórum – cumpre seu papel de mostrar e discutir o que é esse cinema que está nas telas latino americanas. Prestigiado com a presença de diretores, produtores, distribuidores, exibidores, escritores, atores e toda a gama de artistas e profissionais do audiovisual, que participam da exibição de seus filmes e dos encontros setorizados, atualizando projetos, solidificando parcerias e firmando compromissos futuros. São quatro mostras de caráter competitivo:
Mostra Catarinense, Mostra de Curtas Mercosul, Mostra DOC-FAM e Mostra Infanto-Juvenil.O FAM2013 será de 14 a 21 de junho no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina com o patrocínio da Petrobras e realização da Associação Cultural Panvision. Por enquanto curtam o Pré-FAM exibido em diversas cidades e locais de Santa Catarina, veja a programação wm: http://www.audiovisualmercosul.blogspot.com.br/
– FESTin Ilha. O FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa que apresentou sua 4ª edição de 3 a 10 de abril deste ano em Lisboa receberá uma programação especial dentro do FAM intitulada de FESTin Ilha. Com produções lusófonas o FESTin Ilha destacará o desconhecido cinema angolano;
– Edital Cinemateca Catarinense – Está aberto o Prêmio Catarinense de Cinema edição 2012/2013. O Prêmio Catarinense de Cinema, edição 2012/2013, representa um investimento de R$ 3 milhões. As inscrições gratuitas ficarão abertas entre 8 de maio a 26 de agosto de 2013 e a abertura dos envelopes será no dia 2 de setembro de 2013, às 14h, no Cinema do CIC. Já, o Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura tem investimentos de R$ 7,2 milhões. Este sistema é uma forma eficaz de democratizar a distribuição de verbas públicas. O edital Elisabete Anderle premia sete categorias: artes populares, artes visuais, dança, letras, música, teatro e patrimônio cultural. A presidente da Cinemateca Catarinense Carol Marins, declarou no lançamento do prêmio que, “o edital de cinema foi lançado em 2001, uma conquista para a classe. Só que de lá para cá contraria a cronologia de 12 anos. Na última quinta assinamos a oitava edição. São cinco anos que se perderam. Santa Catarina perdeu pela descontinuidade da construção de uma identidade”, está certa a Carol. Mas, por outro lado, também temos que reconhecer o esforço da atual administração em cumprir com as edições anuais. Portanto, estão gestores públicos, produtores, profissionais, artistas e sociedade de parabéns e que todos possam tirar o melhor resultado desse sistema de fomento. Os editais na íntegra estão no site.
– UFSCTV em canal aberto. A TV UFSC transmitirá, a partir de sábado (18/05) em canal aberto digital para transmissão em parceria com a Empresa Brasil de Comunicação – TV Brasil. A solenidade acontece também neste sábado a partir das 11hs, na rua Dom Joaquim, 757. A reitora Roselane Neckel, a vice-reitora Lúcia Helena Martins Pacheco e o diretor da TV UFSC Fernando Crocomo, convidam a classe do audiovisual para prestigiar o evento. TV UFSC e TV Brasil uma parceria que promete uma boa programação.
