Os HUs e o bom exemplo do Paraná
14 de Dezembro de 2012

Os HUs e o bom exemplo do Paraná

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*Por Moacir Loth – Jornalista

Os hospitais universitários foram criados a partir de movimentos sociais, para fomentar o ensino, a pesquisa e a extensão, mas, em função da sua qualidade, responsabilidade social e da ausência de políticas públicas eficazes nos municípios e Estados, assumiram também papel vital na assistência à população local que precisa e quer continuar vivendo.

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O HU da Universidade Federal de Santa Catarina, 100% público, socorre sem distinção todos os enfermos “engaiolados” nas ambulâncias enviadas diariamente de todas as regiões do Estado. Desde a década de 1980, o hospital é a maior e melhor extensão que a UFSC pratica para o povo. E acaba sendo também a tábua de salvação ante um sistema hospitalar em frangalhos.

Abrigando maternidade de primeiro mundo, Centro de Informações Toxicológicas, referência em transplantes, banco de sangue e laboratórios de excelência em vários campos do conhecimento, o Hospital Universitário Ernani Polydoro São Thiago obviamente está de orelha em pé com a criação e implementação da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), monstrengo que Lula concebeu 15 minutos antes de entregar a faixa para Dilma.

Os HUs parecem estar diante de uma espécie de filha pródiga do “Estado mínimo” de Bresser Pereira, dos áureos tempos de FHC, de tudo entregar, de bandeja, ao capital. Os planos de saúde (Unimed, inclusive) serão a sentença de morte do SUS nos HUs! A palavra final cabe à universidade, cuja autonomia a Constituição cidadã de Ulysses garante em todas as letras e em vários artigos.

A pressão de Brasília pela adesão à Ebserh será tentadora, como aconteceu na época do Reuni. A resistência, contudo, é possível. O Conselho Universitário da UFPR (Universidade Federal do Paraná) foi, no mínimo, corajoso. Posicionou-se firmemente contrário à introdução plena de uma empresa para gerir seu HU por entender que ela assassina a própria autonomia da universidade, colocando uma pá de cal nos HUs.

O Conselho Universitário da UFSC, instância máxima deliberativa da instituição, pronunciará a palavra final, independentemente de quem estiver à frente do Hospital e da Universidade. O debate amplo, à exaustão, será o melhor remédio para a tomada da decisão. O diálogo franco com a Administração Central, de Roselane Neckel e Lúcia Pacheco, só fará bem à saúde física e mental da sociedade e da comunidade universitária.

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