
Segundo matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, com informações de sua correspondente em Buenos Aires, Lígia Mesquita, na sessão em que o Senado decidiu se Bogado poderia ser processado pelo caso, 23 dos 45 senadores, incluindo o acusado, disseram que não. Como o voto no país é aberto, os cidadãos ficaram sabendo quem não optou pela perda da imunidade.
Comércio boicota
A churrascaria Un Toro y Siete Vacas, famosa em Assunção, foi a primeira a colocar um aviso de que se reservava o direito de não aceitar a presença dos senadores que votaram a favor de Bogado. Depois, outros estabelecimentos fizeram o mesmo.
A La Pizza Nostra fez um cartaz com a imagem de Vito Corleone, de “O Poderoso Chefão”, com os dizeres: “Ei, senadores que não votaram pelo fim da imunidade, a Cosa Nostra [máfia retratada no filme] não lhes admitirá na Pizza Nostra”.
Até um salão de beleza entrou na onda do protesto. Mas, diferentemente dos outros locais, o Raio Bemba não proibiu a entrada dos senadores. “São bem-vindos, contanto que nos deixem massagear suas ideias e renovar suas cabeças”, diz um cartaz com a foto dos 23, cada um com um penteado diferente.
“Pela primeira vez a sociedade paraguaia foi honesta em sua visão política. Estamos acordando para nossos problemas “, disse à Folha o dono do salão, Tote Pascual.
A pressão das ruas deu resultado. O grupo dos 23 decidiu rever sua posição e deve votar pela perda da imunidade de Bogado em nova votação, marcada para hoje. Notícia da Folha de S. Paulo.
