Pelas minhas contas, este aqui é meu quadragésimo artigo para o Acontecendo Aqui. Isso não terá lá muita importância para o leitor, mas para mim esse número redondo acabou coincidindo com algo significativo na minha vidinha velha e sem porteira: este texto é o último que envio desde Madri. É isso mesmo. Estou voltando ao Brasil, de mala, cuia, muié e filhas. Essa decisão já estava tomada há um par de anos, por livre e espontânea vontade, e agora estamos somente colocando-a em prática. Mas minhas peripécias pessoais acho que interessam a pouquíssima gente além de a minha doce mãezinha. Então falemos sobre algo que preste.
Uma notícia de página inteira do El País de quatro de janeiro me chamou a atenção. A dita cuja se intitula “Enganchados a la pantalla”, o que poderia ser traduzido por algo como “Fissurados pela tela”, sendo que essa tela se refere à televisão, que vem perdendo cada vez mais força como mídia influente para produtos que não sejam popularescos.
Tudo bem. A internet, os dispositivos móveis, as redes sociais e isso tudo alterou profundamente o panorama de abordagem ao público consumidor. A tevê perdeu – estou de acordo – sua situação de toda poderosa na hora de planejar a mídia. Mas voltemos ao El País.
O texto da matéria começa assim: “a televisão bate seu recorde em 2012, com 246 minutos de consumo por pessoas ao dia”. Isso significa uma média de mais de quatro horas diárias em frente da tevê. A matéria segue: “para quem augurava o fim da televisão pela expansão da internet, o impacto do Youtube, a maciça comercialização de tabletas e celulares inteligentes e o fervor das redes sociais, 2012 demonstra que a velha mídia está mais viva do que nunca”. Outro trecho destacável: “As novas tecnologias, assim como as redes sociais, parecem não afetar o meio televisivo. Observa-se inclusive o contrário: elas retroalimentam a velha mídia audiovisual”. A matéria completa está aqui, neste link abaixo, pra quem quiser ver:
http://cultura.elpais.com/cultura/2013/01/03/television/1357240578_401013.html
Tá certo. Falamos de um país em crise econômica, onde a forma de entretenimento mais barata – sentar no sofá e ligar a tevê – ganha força em detrimento do cinema, das revistas, das tarifas de conexão à internet e da compra de aparatos móveis de última geração. É uma situação específica de um país em depressão, mas no final das contas muitos países hoje em dia se encontram nessa mesma situação, e na hora do aperto o pessoal recorre mesmo à boa e velha televisãozinha na sala de casa.
Não quero menosprezar o impacto das novas mídias. Só pretendo alertar que pode ser um erro generalizar, e que continuam sendo fundamentais os profissionais que analisam as situações por separado. O que pode ser verdade para o Brasil, por exemplo, pode ser mentira para a Espanha. O que pode funcionar em Florianópolis, por exemplo, pode ser um fiasco para Rancho Queimado, e assim por diante, sendo que poderíamos estender esses cortes geográficos a outros etários ou sociais. Manter a antena ligada e não embarcar de olhos fechados na onda do momento é o que me parece importante e digno de comentário. E tenho dito.
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Aviso aos navegantes: uma vez no Brasil, estarei aberto a participar de projetos profissionais, seja no campo acadêmico, editorial ou publicitário. Deixo aqui meu e-mail: [email protected].
Um excelente 2013 a todos!
