O tempo que o Amor exige
16 de Abril de 2013

O tempo que o Amor exige

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Há mais de meio século sociólogos e demais pesquisadores do comportamento humano em sociedade vêm alertando para a dissociação que se estabelece, a partir da evolução tecnológica, entre o tempo da natureza e o tempo da cultura. “Modernidade líquida” é o termo usado por Baumann[1] para designar a época atual, justamente por esse caráter escorregadio, fugidío, que nos escapa e nos faz sentir desamparados.

Somos exigidos pela nossa própria invenção a corresponder com mais agilidade, rapidez e eficiência, tanto no trabalho quanto na vida social. Cobramos e somos cobrados por não estarmos atentos em tempo integral às mensagens instantâneas do celular, às mais recentes novidades das redes sociais, aos e-mails e sistemas corporativos.

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A tecnologia, que tanto admiramos por agilizar processos e permitir o que seria inimaginável há trinta anos, e com a qual integramos e potencializamos a comunicação de longa distância (interferindo positivamente no tempo natural), é a mesma que nos provoca isolamento e, pela pressão operativa que impõe, nos afasta de nós mesmos e dos mais próximos.

Uma série de sintomas de ordem individual e coletiva, no Brasil e no mundo, vêm merecendo crescente atenção: jovens que se suicidam; executivos com problemas de dependência química; depressão generalizada; úlceras provocadas pela somatização de problemas; crianças com déficit de atenção; comportamentos bipolares; etc. Complementando o quadro, o comportamento das pessoas no dia-a-dia transmite irritabilidade constante, intolerância, impaciência, desmotivação, desconfiança, apatia.

Ocorre que não estamos dando o tempo necessário para que as relações humanas se estabeleçam nessa trama diária de metas e compromissos. Aperfeiçoamos o meio de comunicação e precarizamos a própria comunicação, embora pareça um paradoxo.

A comunicação requer uma sintonia de linguagem, que precisa de um “tempo” para se firmar. Estabelecer um canal aberto, que é o propósito da comunicação, demanda um sentido em comum entre os interlocutores.

Tal como o tempo da natureza para restaurar a sua capacidade de verdejar os campos e oxigenar o ar que respiramos, é preciso conectar-se às pessoas para comunicar-se com elas. Olhar com os mesmos olhos, ser empático, reconhecer e aprender com as diferenças.

Evoluímos de modo surpreendente no quesito “ferramentas tecnológicas”, mas o alerta hoje é para que essa tecnologia não se transforme em um fim em si mesmo, e que o viver humano se torne insustentável. Porque o sustentável requer uma atitude amorosa, de cuidado. O tempo do humano é o tempo que o amor exige.


[1]

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