O sentido que se revela
22 de Novembro de 2012

O sentido que se revela

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“Sei que nada será como antes, amanhã…” (diz a canção do Milton).

Vivemos hoje uma condição única de sabedores da mutabilidade constante da realidade, das prioridades, das ideias, costumes, etc. É uma condição que se deve, entre outros fatores, às novas tecnologias e a uma nova compreensão de tempo.  Essas características se fazem perceber tanto nas relações empresariais, no ambiente de trabalho, quanto nas relações pessoais e familiares.

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Como consequência, surge uma sociedade “sem espanto”. Ao mesmo tempo, é uma qualidade que nos torna mais resilientes às intempéries dos maus tempos (como o que todos sofremos com a explosão de violência urbana recente), e é um problema que provoca angústia e uma desconfortável sensação de andar à deriva.

A ausência de um fio condutor que possa unificar a compreensão e tornar previsível o caminho que a humanidade traça, tal qual oferecia o pensamento da modernidade[1], destaca a necessidade da constituição de um novo sentido coletivamente elaborado.

E é essa ânsia, de encontrar no âmago do humano algo que nos torne reconhecíveis uns aos outros, que vem produzindo uma série de transformações positivas na sociedade contemporânea. Um novo olhar para as interdependências comunitárias, um pensamento ecologizado, um compromisso com a vida presente e a preservação da vida futura, emergem da crise apontando um “sentido”.

O sentido que desponta é o que aproxima as pessoas físicas e jurídicas por meio das novas práticas de integração e responsabilidade social, das iniciativas voluntárias pelos direitos humanos, das campanhas coletivas em defesa do ambiente, que preza valores como a solidariedade e a cooperação. Trata-se de um sentido novo, que supera barreiras, aproxima os desiguais, subverte as convenções, é corajoso, livre e criativo, com a vivacidade própria das coisas humanas.

Não casualmente a palavra “sentido” se traduz em uma gama de significados: como substantivo indica razão, motivo, direção; na condição de adjetivo, evoca o sentir, o sentimento, e a percepção dos sentidos. É com toda essa carga de significados que um novo sentido se revela para a humanidade, à medida que é trilhado.

Como premissa, porém, é preciso saber que esse sentido não será unívoco, universalmente válido, e tampouco absoluto. Resulta de um caminhar com os Outros num processo de constante autocrítica, de partilha e desapego, um sentido humanizante.


[1] Compreensão a partir de uma racionalidade linear, que isolava emoção e razão.

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