O que a Igreja Católica não aprendeu
30 de Julho de 2013

O que a Igreja Católica não aprendeu

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1. Mansour Challita conta, em seu livro Antologia Internacional do Riso, conta o seguinte causo, que recolheu na Índia:

“Morre alguém. Seus parentes obtêm um atestado de óbito e carregam o defunto para o cemitério.

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No caminho, ele bate no caixão e grita:

Estou vivo! Estou vivo!

Estará mesmo vivo, apesar do atestado? As opiniões se dividem. Chamam um juiz.

Que após examinar a certidão, sentencia:

Já que o homem é declarado morto num atestado de óbito regular e legal, impõe-se considerá-lo morto e prosseguir no enterro.

 

2. Em meados da década de setenta Alex Periscinoto, em um pronunciamento histórico na CNBB, mostrou, para uma plateia de bispos os problemas de comunicação enfrentados, já naquela época, pela Igreja católica, por causa da perda de seus símbolos. Já contei isso aqui.

O alerta entrou por um ouvido dos bispos, saiu pelo outro. De lá para cá, nenhuma providência se fez sentir. Pelo contrário.

A perda mais recente estamos assistindo agora, com o desprezo pela arquitetura das igrejas católicas, cada vez mais parecidas com as evangélicas.

 

3. Há pouco esteve entre nós o Papa Francisco.

Nomeado pelo Espírito Santo, que viu, naquele cardeal argentino, sobre o qual ninguém falava, a salvação para uma Igreja em crise,

disse-me outro dia o prof. Osvaldo Dela Giustina, filósofo, importante homem público, fundador de universidades, Unisul entre elas, católico devoto. Um sábio. Você precisa conhecê-lo.

No Brasil, Papa Francisco confirmou seu extraordinário carisma. E seu propósito de um sopro inovador na Igreja.

Mas…

 

4. Todo domingo, quando termina o Sarau, na Globo News, sintonizo a TV Cultura para ver o Viola Minha Viola, com a Inezita Barroso, e logo depois o Sr. Brasil, com Rolando Boldrin, e vejo o finalzinho da transmissão da Missa de Aparecidas do Norte.

E todo domingo vejo os sacerdotes lendo, às vezes bem, ouras vezes mal, mas sempre sem emoção, algum texto.

Sem ser um católico devoto, sou capaz de repetir, com a mesma frieza, cada palavra. A ausência de emoção não é por culpa deles. O texto, para transmitir sentimento, tem de sem surpreendente. Ou exigir uma grande interpretação. E no caso do texto da Missa, não traz nenhuma surpresa, porque é sempre o mesmo.   E para ser interpretado é necessário talento, coisa que pelo visto anda carente na Igreja católica.

 

5. Aí, encantado pelos pronunciamentos do Papa Francisco, resolvi assistir, pela TV, a missa rezada por ele.

Decepção!

Vi o Papa fazer que nem seus discípulos: ler em um livro branco, os textos que lhe cabiam. Toda aquela emoção, toda aquelas capacidade de nos envolver com seu modo de dizer, ficaram do lado de fora da Catedral.

Tomara que ele tenha percebido isso. E não faça como o juiz da história que Mansour Challita recolheu na Índia e nos contou, e deixe o barco rolar assim, porque assim está escrito.

Quem sabe, até, ele tenha a humildade de ver como os pastores evangélicos se comunicam com a multidão de fiéis da Igreja deles. E, com a ajuda do Espírito Santo, pegue e pregue o jeito.

 

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