O que foi que aconteceu com a música popular?
06 de Março de 2014

O que foi que aconteceu com a música popular?

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Se é inegável a evolução técnica e artística da produção de novelas nos últimos anos no Brasil, creio que não podemos dizer o mesmo a respeito dos temas musicais que compõem os folhetins nacionais nesse mesmo período. Não sei se você já reparou nisso, mas as três principais e tradicionais novelas em exibição no momento, da emissora referência nesse gênero, recorrem a composições de artistas das décadas de 1950 e 1960 em canções novas (Jóia Rara com Gilberto Gil) ou releituras de músicas das mesmas épocas de seus compositores (Além do Horizonte, de Erasmo Carlos e Eu Sei Que Vou Te Amar, de Tom Jobim).

Essa não parece ser uma questão pontual, mas que vem se tornando comum desde o final da década passada (2000/2010). Fiz uma rápida busca em um site excelente que trata sobre novelas no Brasil (www.teledramaturgia.com.br) para verificar que não estou enganado, e percebi que entre as 23 novelas e minisséries exibidas entre 2010 e 2013, exatamente 12 delas utilizaram releituras ou músicas compostas há mais de 20 anos em suas aberturas e tantas outras em temas internos. As canções produzidas mais recentemente ficaram restritas a identificar determinados personagens dentro da trama.

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Não sei o que isso significa para você, mas para mim demonstra o declínio da música popular brasileira na história recente. Os temas de aberturas de novelas historicamente buscaram apresentar artistas em evidência, seja por sua capacidade de composição ou potencial musical de se tornar uma referência, e que são lembrados até hoje pela maioria do público – basta ver o caso do grupo Roupa Nova que emplacou diversas canções em temas de novelas nos últimos 30 anos. Além disso, as novelas sempre foram uma forma de disseminar as manifestações culturais desse imenso país, entre elas a música.

Mas quantos são os artistas musicais da atualidade que conseguem sobreviver à efemeridade de um ou dois sucessos compostos com letras monossilábicas sobre um arranjo de meia dúzia de notas? Não me atrevo a apontar as causas da falta de originalidade musical recente, embora tenha algumas suspeitas a respeito, mas creio que somos um país grande e diverso o suficiente com capacidade de produzir músicas de qualidade para fazerem parte da cultura de massa popular e estarem representadas nas novelas cotidianas, sem a necessidade de recorrer a releituras. Com bem cantaria Rita Lee: “Ai, ai Meu Deus. O que foi que aconteceu com a música popular brasileira?”

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