O Menino do Arroio Itapevi: A História de uma Lenda
13 de Março de 2013

O Menino do Arroio Itapevi: A História de uma Lenda

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1. Festival de Gramado, mil novecentos e não sei quantos. Eu estava hospedado no hotel onde aconteceria o coquetel de abertura do evento. Tomei meu banho, vesti-me e desci, todo faceiro. Logo no salão, um baita coquetel. Meio faminto, meio com sede, peguei um petisco e um copo logo abastecido por um solícito garçon, por um uísque de primeiro.

Nem bem tinha molhado a grganta com o primeiro gole, um jovem, já meio de porre, aproximou-se de mim.

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Elóy, ô Elóy. Lembra-se de mim?”

Infelizmente tenho péssima memória, mas quis ser gentil:

“Claro que me lembro.”

“Então, diga meu nome.”

Vacilei.

E no que eu vacilei e procurei  ganhar tempo para arrancar o nome do gajo do fundo da minha memória, ele não estava com paciência:

“Lembra nada. Só porque eu não sou importante como você..”

E me deu um empurrão, quase me jogando na mesa.

Fez isso e partiu pra cima de mim.

“Você está me humilhando.Vou quebrar sua cara.”

Felizmente a turma do deixa disso estava por perto e segurou ele.

Atônito, saí rapidamente dali e fui parar em uma galeria de arte onde uma  exposição estava sendo inaugurada.

Nem estava refeito do susto ainda, quando uma pessoa bateu no meu ombro:

Elóy Simões, que prazer ver você aqui. Lembra-se de mim?”

Não me lembrava, mas com a minha mania de ser gentil..

“Claro que me lembro.”

“Então diga: como me chamo?”

Ele percebeu que eu estava atrapalhado, mas foi gentil.

“Já vi que você não se lembra. Meu nome é…”

E disse o nome dele.

De novo envergonhado, saí dali e fui me sentar no banco de um jardim, no pátio de entrada do hotel.

Nem bem tinha sentado, um táxi parou à minha frente. Um homem desceu dele e logo que me viu, saudou-me:

“Olá, Elóy Simões, Lembra-se de mim?”

Era a senha para um novo vexame, mas desta vez fui sincero:

“Olha  é a terceira vez seguida que me fazem essa pergunta. Como não soube dizer o nome das pessoas, quase apanhei no salão do coquetel e quase morri de vergonha na galeria de arte. Então, peço-lhe um milhão de desculpas pela minha indelicadeza, mas confesso: não me lembro.”    

Ele riu, e mineiramente me respondeu:

“Não se preocupe.”

Era Álvaro Rezende importante empresário da comunicação de Minas Gerais.

2. Se há alguns dias você me perguntasse assim na lata, desde quando eu conheço o Antunes Severo, eu vasculharia minha memória, procurando a figura dele na neblina do meu tempo e responderia:

“Não me lembro.”

Hoje, se você me fizer a mesma pergunta responderei, também na lata:

“Desde sempre.”

É que entre um episódio e outro, li Antunes Severo – O menino do Arroio Itapevi, escrito pela Ana Lavratti.  Lendo-o, senti-me participante de uma maravilhosa história de vida. E, estou certo, depois de lê-lo fica impossível tirar o Severo da memória.

3. Com efeito, nesse livro Ana Lavratti escreve, ora teatralizando, ora simplesmente descrevendo os fatos,  não uma biografia, mas uma lenda.

Uma lenda viva onde Severo deixa de ser essa maravilhosa figura com que a gente convive no dia-a-dia para se tornar o herói de uma emocionante história de vida.

Um grande exemplo de dignidade, empreendedorismo, amor ao próximo, talento. Onde um caipira analfabeto, muito pobre, vai subindo os degraus da vida e deixando sua marca em degrau que escalou e, a partir de certo lance, escrevendo uma história de amor.

Uma lenda que nem mesmo os desmemoriados como eu conseguem esquecer.

4. No Antunes Severo – O Menino do Arroio Itapevi só faltou, na minha opinião, uma coisa: contar um pouco sobre o Severo de hoje, suas últimas realizações e como  criou a Propague.

Esse pedaço da história dele que acompanhei mais de perto.

5. Antunes Severo – O menino do Arroio Itapevi precisa ser lido, principalmente, por todos os jovens, porque ele nos ensina que o impossível não existe. Desde que a gente tenha dele a tenacidade, a capacidade de superação, a dignidade, o respeito e amor ao próximo.

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