O futuro da Folha de São Paulo está sob ameaça
19 de Março de 2019

O futuro da Folha de São Paulo está sob ameaça

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Maria Cristina Frias – que assumira o cargo de Diretora de Redação há seis meses, depois da morte do irmão Otavio Frias Filho – foi ‘destituída’ pelo irmão mais novo, Luiz Frias.

O jornalista Sérgio Dávila, que estava há nove anos no cargo de Secretário de Redação e tem 25 de jornal, assumiu o posto. A disputa, que põe em risco a sobrevivência do jornal e deve chegar à Justiça, envolve uma tentativa de reestruturação societária do Grupo Folha e a distribuição de dividendos dos negócios lucrativos da família.

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O Grupo Folha controla o UOL, que por sua vez controla a PagSeguro. Ambos os negócios foram criados por Luiz Frias enquanto Otavio e Maria Cristina se dedicavam ao jornal. A Folhapar tem 64,4% do UOL, e Luiz Frias tem dois terços da Folhapar. O outro terço pertence à Empresa Folha da Manhã, que edita o jornal.

No ano passado, o UOL levantou cerca de US$ 1,17 bilhão no IPO do PagSeguro. A companhia hoje vale US$ 9,4 bilhões na Bolsa de Nova York. Luiz nunca escondeu que não vê futuro para o jornal impresso e tem se recusado a investir na publicação. Ele defende que o jornal viva por seus próprios meios.

Mas além de ser um executivo nativo do universo digital, fontes próximas à família dizem que ele também vê na postura editorial do jornal – que enfrenta um embate com o Governo Bolsonaro – um risco às ambições da PagSeguro, que dependem da regulação do Banco Central. No início do ano, Luiz assumiu o controle do Banco BBN.

A disputa para que os negócios rentáveis do grupo ajudem a financiar o jornal não vem de hoje. Quando já estava com a doença avançada, Otávio tentou convencer o irmão a liberar repasses de dividendos para o jornal – sem sucesso. (Luiz sustenta que os dividendos não são devidos. Cristina e Otavio discordavam.) Com Luiz no comando, o jornal deve reduzir de tamanho. A expectativa na redação é de cortes radicais nos próximos dias.

No comunicado em que anunciou a saída da irmã, Luiz Frias disse que a decisão foi tomada pela maioria dos acionistas. O grupo tem três acionistas com direito a voto: Luiz, Maria Cristina e Fernanda Diamant, viúva de Otavio. Maria Cristina tomou conhecimento da decisão do irmão ao chegar ao jornal nesta segunda-feira – e, segundo relatos de jornalistas da casa, teve até o acesso ao seu endereço de email bloqueado. Para ler mais sobre esse assunto leia matéria publicada no Brazil Journal.
https://braziljournal.com

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