O banqueiro, a estrada, a grama da morte
08 de Dezembro de 2011

O banqueiro, a estrada, a grama da morte

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1. Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa em sua limusine quando viu dois homens à beira da estrada, comendo grama.

Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:

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– Por que vocês estão comendo grama?

– Não temos dinheiro para comida.. – disse o pobre homem – Por isso temos que comer grama.

– Bem, então venham à minha casa e eu lhes darei de comer – disse o banqueiro.

 - Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.

– Que venham também – disse novamente o banqueiro. E, voltando- se para o outro homem, disse-lhe:

– Você também pode vir.

 O homem, com uma voz muito sumida disse:

 - Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!

 - Pois que venham também. – respondeu o banqueiro. E entraram todos no  enorme e luxuoso carro.

 Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:

 - O senhor é muito bom.. Obrigado por nos levar a todos!

O banqueiro respondeu:

 - Meu caro, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo! Vocês vão  ficar encantados com a minha casa… A grama está com mais de 20 centímetros de altura!

A pessoa que me enviou esse causo, completou com a seguinte observação:

QUANDO VOCÊ ACHAR QUE UM BANQUEIRO, OU BANCO ESTÁ LHE AJUDANDO, NÃO SE ILUDA, PENSE UM POUCO MAIS ANTES DE ACEITAR QUALQUER PROPOSTA.

É POR ISSO QUE TODA VEZ QUE UM BANCO ME LIGA OFERECENDO ISTO OU AQUILO, A MINHA RESPOSTA É SEMPRE A MESMA:

 - SE ISSO FOSSE REALMENTE BOM PRA MIM, VOCÊS NÃO ESTARIAM ME OFERECENDO…

2. Semana passada o Estado de S. Paulo publicou matéria assinada por Bruno Paes Manso. Título: Trânsito matou 572 pessoas a mais que homicídios

Número se refere aos casos registrados no Estado de SP noz dez primeiros meses do ano; no total, acidentes mataram 3.991 pessoas.

3. Moro na Ilha. Quase todo dia atravesso a ponte, entro na via lenta, ex-via expressa, entro na 101, vou até a Unisul Pedra Branca. Uma vez por semana, até Tubarão. De vez em quando, percorro 940 quilômetros de estrada para ir à minha Cachoeira Paulista, ou mil cento e poucos quilômetros para chegar a S. Gotardo, da Deborah, minha mulher,

Nesses percursos vejo de tudo.

Todo dia, pelo menos um acidente de motos. Toda hora um carro grudado no outro, desrespeitando a regra do bom senso. Dali a pouco um mero descuido e uma batida.

Volta e sempre o trânsito não tem trânsito. Uma reforma, um acidente, uma discussão entre os motoristas trava tudo. Só dá para passar por  meia pista. Ainda assim, uns espertinhos vêm lá de trás, furam a fila e deixam o trânsito ainda mais lento. Pensam como a maioria dos políticos: pra eles, o mundo é dos espertos. Bela demonstração de caráter!   

Outro dia, na Régis Bittencourt, vi um capotamento. Era um começo de noite chuvosa. O carro, rodas pra cima, veio deslizando até bater na mureta. Atrás dele, outros carros, impossibilitados de parar a tempo, foram batendo. Espetáculo dantesco.

4. Na época do governo Geisel houve uma crise de combustível no país. Hans Haudenscild, meu diretor de arte e eu disputamos pela Norton uma concorrência patrocinada pelo governo para veicular uma campanha incentivando o público para economizar o combustível e ganhamos.

Aprendi, então, que época quando um motorista passava por um acidente, automaticamente reduzia a velocidade e se mantinha assim durante vários quilômetros.

5. A julgar pelo que tenho visto, não é mais assim. Naquele dia fatídico, por exemplo, os motoristas davam uma meia trava, olhavam o acidente e em seguida aceleravam,como se não tivesse acontecido nada.

As pessoas, hoje, parecem mordidas pelo bicho da pressa,  ansiedade quando entram em um carro ou em uma moto. Mesmo que não tenham pressa, desembestam feito loucos.

6. Mordidas pelo bicho da pressa, as pessoas agem como aqueles famintos que, segundo o causo que contei, estavam na beira da estrada. Não percebem que a tentação da velocidade oferecida pela estrada, poderá obrigá-las a comer a grama da morte.

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