Em uma cidadezinha do interior havia um abacateiro carregado dentro do cemitério.
Dois amigos decidiram entrar lá à noite (quando não havia vigilância) e pegar todos os abacates.
Eles pularam o muro, subiram a árvore com as sacolas penduradas no ombro e começaram a distribuir o “prêmio”.
— Um pra mim, um pra você. Um pra mim, um pra você.
— Pô, você deixou dois caírem do lado de fora do muro!
— Não faz mal, depois que a gente terminar aqui pega os outros dois.
— Então tá bom, mais um pra mim, um pra você.
Um homem, passando do lado de fora do cemitério, escutou esse negócio de ‘um pra mim e um pra você’ e saiu correndo para a delegacia.
Chegando lá, virou para o policial:
— Seu guarda, vem comigo! Deus e o diabo estão no cemitério dividindo as almas dos mortos!
— Que papo é esse, rapaz?.
— Juro que é verdade, vem comigo.
Os dois foram até o cemitério, chegaram perto do muro e começaram a escutar…
— Um para mim, um para você…
O guarda assustado:
— É verdade! É o dia do apocalipse! Eles estão dividindo as almas dos mortos! O que será que vem depois?
De dentro do cemitério se ouve:
— Um para mim, um para você. Pronto, acabamos aqui. E agora?
— Agora a gente vai lá fora e pega os dois que estão do outro lado do muro…
— Coooooooooorreeeeeeeeeeeeeee! (fonte: internet)
2. “Não sei por que você insiste nessa tecla de que uma forte campanha de comunicação mostrando que o respeito mútuo é fundamental para acabar ou pelo menos aplacar essa onda de violência que estamos vivendo agora. Isso não vai levar a nada.”
Entendo perfeitamente as pessoas que, como meu interlocutor, não concordam comigo. Outro dia mesmo o Estadão publicou artigo assinado pelo professor de filosofia da UFRGS, Denis Lerrer Rosenfield, que defende o mesmo ponto de vista dos que me criticam.
No artigo, intitulado Insanidade Ideológica ele analisa alguns crimes bárbaros ocorridos ultimamente. Mas, segundo entendi, embora sua tese seja diferente da minha, ele começa o artigo com, uma declaração altamente significativa. Ele diz:
“O trivial, por força de repetição, torna-se banal, por mais aterrador que eventualmente possa ser. Acostumamo-nos com determinados fatos como se fossem “normais”, quando, na verdade são expressões de uma profunda anomalia. Perde-se a capacidade de indignação, enfraquecendo os indivíduos moralmente. Sem essa força moral a sociedade cai na apatia, e, o que é pior,na conformidade com o imperdoável.”
3. “Por força da repetição, o trivial torna-se banal”, ele diz. E é exatamente o que defendo quando clamo pela difusão do respeito. No dia em que as pessoas se respeitarem de verdade, terá diminuída a violência. E os criminosos deixarão de nos tratar como abacates. Na fase de um trouxa pra mim, outro pra você…
