Nós, as palavras, e a sustentabilidade
22 de Maio de 2014

Nós, as palavras, e a sustentabilidade

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A linguagem nos é tão íntima que a maior parte do tempo não nos damos conta de como ela se estabelece, ou de como as palavras se inserem em nossa existência, vêm e vão.

Há palavras com as quais nascemos – seu sentido está permeado de vivências, elas nos dizem por si. Outras há que são forjadas nas ciências, na política, nas artes, das quais nos aproximamos por afinidade ou contrariedade, sujeitas a ventos e marés.

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As palavras nem sempre condizem com o que indica seu vernáculo. São vivas na produção de sentido, e tão diversificada é a humanidade que elas ecoam e ressoam em modulações novas, construindo cultura. Palavras há que não existem além de nós, palavras não ditas – indizíveis.

Algumas palavras se perdem com o tempo, são consumidas. Outras não.

Uma forma comum de consumirmos palavras é banalizar seu uso, descontextualizar seu entendimento, torná-la um rótulo. Ou ainda, com efeitos piores, deturpar o seu sentido.

Por isso falamos em Sustentabilidade com todo o cuidado. Para não desgastar, para não afastar ou apagar, para não consumir o seu sentido próprio de “rede protetora da vida”, da qual humanos e não humanos fazemos parte.

Sustentabilidade é uma palavra pênsil, uma ponte para um futuro. Ela não vem só. Combina com ecologia, com arte, com generosidade, diversidade, criatividade, e amor e outras mais. Está repleta de sentidos, ora densos, ora delicados, cheia de intensidades.

Sustentabilidade é uma palavra de inspiração, que oxigena nossas memórias e faz aflorar o futuro, religando o homem com os dois mundos que habita, natureza e cultura, na melhor combinação.

Ser sustentável é, sim, adotar posturas práticas e concretas, colocar os verbos em ação: reduzir consumo, recuperar, reutilizar, reciclar, recriar. Mas, antes e principalmente, é repensar-se no mundo, é reposicionar-se como sujeito que é afetado e afeta uma cadeia de valores e de produção que extrapola as portas da casa ou as fronteiras do país.

Há formas diretas e objetivas de se colocar em prática a sustentabilidade, integrando seu conceito e propósitos nas políticas de gestão das instituições, nas estratégias das empresas, no conhecimento científico produzido nas universidades.

Sustentabilidade é uma palavra de urgência, que se estabelece em tessituras de sentido holístico, nem sempre simples, nunca óbvio, mas acessível a todos. É uma palavra de pertença ao nosso tempo.

Sustentabilidade deve ser, assim, uma palavra com a qual as crianças já nasçam – com um sentido assimilado numa cultura nova, em que resguardar a Vida (presente e futura) seja o objetivo primeiro do existir.

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