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Na prática, a teoria é mais divertida!
25 de Junho de 2011

Na prática, a teoria é mais divertida!

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Por Ligia Fascioni 25 de Junho de 2011 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

 

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Imagem: Beas1 (DevianArt)

Nesse feriado tive o privilégio de participar do workshop Inovação + Design Thinking promovido pela dupla dinâmica Maria Augusta Orofino e Maurício Manhães, da InnovaService. Foram dois dias para descolar os neurônios, como disse uma participante. Uma coisa é estudar inovação e design thinking em livros, outra bem diferente é desenvolver um produto inovador na prática.

 

Eles começam os trabalhos falando do conceito da VaCa RoSa, acrônimo para a técnica de Variação Cega e Retenção Seletiva. A variação cega parte da metáfora baseada no darwinismo, onde a natureza faz variações aleatórias sobre um tema (ou, no caso, ser vivo) e a retenção é feita seletivamente, pelo desempenho de cada uma. Então, no começo houve girafas pescoçudas, orelhudas, linguarudas e até estrábicas. As características que tiveram desempenho melhor e contribuíram para a sobrevivência da espécie foram reproduzidas, fazendo esses animais, hoje em dia, terem pescoços e orelhas bem desenvolvidos. Mas, no começo da variação cega, não havia como saber como ia ser a forma final da girafa.

 

Com a inovação, acontece algo semelhante: não se sabe se a ideia será bem sucedida até ela se tornar febre. Antes disso, nem mesmo o Steve Jobs consegue garantir o que exatamente vai dar certo. As variáveis são muitas e complexas, o que torna a gestão da inovação algo muito improvável. O que se consegue gerir é o design (sem design, não há inovação). Então, a chave é ter uma profusão de ideias (variação cega) para só então fazer uma seleção e desenvolver designs para as melhores. Aí é testá-las, mesmo que ainda não estejam prontas, ver o desempenho, selecionar de novo e por aí vai. É como sua avó já dizia: não coloque todos os ovos na mesma cesta – aposte em várias ideias diferentes e vá incrementando o investimento conforme o desempenho de cada uma.

 

Passamos então o primeiro dia exercitando a tal da variação cega e, para minha surpresa, não havia um problema para ser resolvido, apenas um tema a ser explorado. Aí ficou clara a principal diferença entre a engenharia e o design; enquanto a engenharia parte de um problema e se vale de um conjunto de ferramentas para resolvê-lo, o design para inovação parte de uma figura chamada muito apropriadamente espaço-problema-solução, onde tanto o problema como a solução ainda estão indefinidos e misturados no mesmo espaço conceitual.

 

Daí o valor da variação cega: relacionar ideias e conceitos de maneira exaustiva (depois de duas horas, minha equipe achou que já havia esgotado o assunto; com um empurrãozinho, criou mais um conjunto equivalente, ou seja, a gente já tinha se dado por satisfeito só com a metade e ia perder boa parte das possibilidades; bom ter isso em mente).

 

A variação cega é uma bagunça organizada; os facilitadores sempre lembravam que ela era cega, não burra. O cego aí é no sentido que todas as ideias têm o mesmo valor, como a justiça, mas não podem fugir demais do tema principal. Post-its, peças de Lego, canetinhas, fantasias e objetos diversos foram muito úteis na brincadeira.

 

O próximo passo era tentar montar narrativas com aquelas ideias todas, usando a técnica do storytelling (ou, em bom português, contação de histórias). Esse exercício nos deu alguns insights de produtos/serviços que poderiam ser desenvolvidos; fomos incentivados novamente a não nos contentarmos com pouco e pensamos em uma dúzia de opções. Selecionamos uma para explorar melhor e aí a gente descobriu o verdadeiro valor da prototipagem. Montamos a história para apresentar o produto para o grande grupo e, como feedback, descobrimos que não tínhamos conseguido comunicar o valor e o conceito do produto.

 

Outra descoberta: é muito fácil mudar de ideia quando se tem muitas. A pessoa só se agarra numa opinião e teima quando isso é tudo o que ela tem. Como a gente estava rico de potenciais produtos e tinha uma lista enorme para escolher, resolvemos mudar radicalmente e testar outra alternativa. A apresentação final (prototipada e testada internamente várias vezes, com contribuições de todos os lados) foi um sucesso! Se o produto realmente existisse, venderíamos horrores.

 

O mais bacana é que o workshop aconteceu na mesma semana em que a revista Época Negócios mostra as vantagens da variação cega no processo de inovação bem na matéria de capa (Pense pequeno). Sinal de que muita gente boa está trilhando por esse caminho que aparece como tendência clara no mundo inteiro.

 

Confesso que estou muito animada com tudo o que aprendi, pois sou a própria variação cega materializada num profissional. De onde será que a próxima inovação vai sair?

 

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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