Ter em sua casa alguém de outro país para conversar sobre a profissão. Foi o que aconteceu com a arquiteta Thais Fioriolli e o marido Leonardo quando receberam a portuguesa Mafalda Silva, uma estudante de arquitetura que veio passar seis semanas em Florianópolis para trabalhar em um projeto social da AIESEC em parceria com a Junior Achievement. “A troca de cultura e informações sobre os países é bem rica e faz com que nós vejamos as ideias e perspectivas por outro ângulo. O fato de sermos da mesma área profissional fez com que nós pudéssemos colaborar uma com a outra neste sentido também”, avaliou Thais.
Por meio do programa Host Family da AIESEC, pessoas da comunidade hospedam jovens universitários estrangeiros que vêm para Florianópolis trabalhar em projetos sociais. Com a convivência diária, a família entra em contato com outros hábitos e pode até aprender ou
melhorar uma língua estrangeira. O objetivo do programa é impactar positivamente a sociedade por meio da troca de experiência entre diferentes culturas, promovendo assim a tolerância entre diferentes povos e crenças.
Esse era também o objetivo de um grupo de jovens belgas em 1948, quando criaram a AIESEC, maior organização estudantil do mundo reconhecida pela UNESCO. Eles acreditavam que por meio de intercâmbio estudantil, laços de amizade entre indivíduos de culturas diferentes evitariam catástrofes como a Segunda Guerra Mundial.
“Conversamos muito sobre política, educação, música e filmes, foi realmente uma troca de experiências, uma oportunidade única”, conta a estudante Julia Dalla Nora. Ela e sua família receberam a intercambista Jeovana, do México, e trocaram experiências sobre costumes brasileiros e mexicanos. “Fizemos questão de deixá-la confortável em nossa casa, estávamos bem abertos em recebê-la e isso fez com que o intercâmbio tenha sido ainda mais válido”, disse Julia, destacando a importância de cada um respeitar o seu espaço.
Qualquer pessoa pode receber um intercambista, morando sozinho ou com família. Só precisa ter um espaço para o jovem se acomodar, cama com lençóis limpos, travesseiros e cobertor, acesso ao banheiro com chuveiro quente, máquina de lavar e um espacinho na geladeira. A alimentação, transporte ou qualquer outro gasto ficam a cargo do hóspede.
Os candidatos preenchem uma ficha de cadastro no site da AIESEC. A organização entra em contato e faz uma entrevista para checar os requisitos, explicar melhor o programa e fazer a ponte entre a família e o hóspede intercambista. Quem hospeda ainda recebe uma ajuda de custo de R$ 100 por intercambista. Quem vem trabalhar em projetos sociais, o chamado trainee, fica de 6 a 12 semanas.
