Florianópolis recebe curso de Storytelling na comunicação política
18 de Fevereiro de 2019

Florianópolis recebe curso de Storytelling na comunicação política

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Despertar a capacidade de contar boas histórias é uma das propostas do curso “Storytelling para comunicação política”,  que será realizado em Florianópolis (SC), no dia 11 de março. Promovido pela Agência Nuvem, com o apoio da Associação Catarinense de Imprensa-ACI, o curso será ministrado por Bruno Scartozzoni, um dos maiores especialistas em storytelling do Brasil.

A quem se destina
O público-alvo deste treinamento são os profissionais de comunicação e políticos em início de mandato.  “Essa é mais uma parceria importante, pois a Agência Nuvem é uma referência nacional quando o assunto é comunicação política. Esse é só o início de uma parceria que deve resultar em outras ações e eventos. Vamos inaugurar nosso auditório em grande estilo, já que o Bruno é uma referência nacional”, destacou a vice-presidente da ACI, Deborah Almada.

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O objetivo do curso é ensinar técnicas de narrativas envolventes, que gerem empatia para aplicá-las em diversos momentos da comunicação política. “Candidatos, políticos eleitos e até partidos começam a adotar a técnica em sua comunicação justamente como forma de se tornarem mais interessantes e vencerem a batalha pela atenção das pessoas. É sobre isso que vamos discutir e colocar em prática. Será um dia intenso, mas divertido”, diz  Bruno Scartozzoni.

Sobre a recente campanha à presidência,  Scartazzoni diz que os três melhores  candidatos foram o que criaram os melhores enredos. “Toda história ou narrativa parte de um conflito, ou uma luta. Alguém enfrentando forças antagônicas para alcançar um objetivo. As campanhas que não conseguiram encaixar seus fatos nesse tipo de estrutura não decolaram”, ressalta Scartazzoni.

Em se tratando de storytelling na comunicação política para mandato, o especialista diz que contar boas histórias não deve se encerrar numa eleição. “Nós, seres humanos, nos identificamos muito mais com pessoas do que coisas, objetos, marcas e instituições. No final do dia o cidadão que estiver emocionalmente conectado ao governante terá mais chance de apoiar, e até perdoar, seu governo”, finaliza.

Storytelling para comunicação política
Data – 11/03 das 8h às 18h
Local – Associação Catarinense de Imprensa –  Rua Rui Barbosa, 621 – Agronômica, Florianópolis – SC.
Inscrição e mais informações no link:  (https://bit.ly/2MCABun)

Perfil de Bruno Scartozzoni
Fundador do Escritório Caldinas – consultoria de estratégia e storytelling, além de ser professor da Harvard Business Review, ECA-USP, FIAP e UniCEUB.
Graduado em administração pública e pós-graduado em administração de empresas, em ambos os casos pela EAESP-FGV, Bruno tem mais de 10 anos de experiência em planejamento de comunicação e criação de histórias, com passagens por grandes agências on e off-line e atendendo clientes como: AmBev, Nokia, Nestlé, Caixa, Ministério da Saúde e Hypermarcas.
Traduziu e comentou o livro Storytelling: Aprenda a Contar Histórias com Steve Jobs, Papa Francisco, Churchill e Outras Lendas da Liderança, editado pela HSM.

Entrevista com Bruno Scartozzoni
 

O uso do storytelling na comunicação política é recente ou este recurso é utilizado há muito tempo em campanhas eleitorais, mesmo que intuitivamente?

A arte da política e a arte de contar histórias sempre andaram juntas. Podemos encontrar inúmeros casos no passado de políticos que eram bons contadores de histórias ou de campanhas que utilizaram muito bem esse tipo de técnica, ainda que de forma intuitiva.

O que mudou de lá para cá é que, com a chegada do mundo digital, capturar a atenção e engajar o eleitor é cada vez mais difícil. Somos diariamente inundados por conteúdos interessantes e, sinceramente, por que alguém trocaria uma série do Netflix com um conteúdo político?

Nesse sentido ,candidatos, políticos eleitos e até partidos começam a adotar técnicas de storytelling em sua comunicação justamente como forma de se tornarem mais interessantes e vencerem a batalha pela atenção das pessoas. Em resumo, o storytelling sempre foi utilizado sim. A diferença é que antes era um luxo, agora é uma necessidade.

Você pode citar alguma campanha – ou político específico – que tenha feito um bom uso das histórias na conquista do voto?

Se a gente analisar as últimas eleições brasileiras para presidente os três candidatos melhor colocados no primeiro turno foram justamente aquele que contaram as melhores histórias. Elas não foram, necessariamente, as que tinham mais orçamento ou mais bem produzidas. Mas foram, acima de tudo, capazes de capturar emocionalmente o eleitor. 
Toda história ou narrativa parte de um conflito, ou uma luta. Alguém enfrentando forças antagônicas para alcançar um objetivo. As campanhas que não conseguiram encaixar seus fatos nesse tipo de estrutura não decolaram.

 

Como um político pode conseguir a atenção do cidadão utilizando elementos de storytelling?

O storytelling é um tipo de técnica com possíveis aplicações em diversas situações e meios. A forma mais tradicional, por exemplo, é contar a história do candidato. Algo que toda campanha já faz, mas que geralmente peca por esconder aquilo que de fato engaja o público: os momentos verdadeiramente emocionais (e as vezes difíceis) de sua trajetória.

Mas também podemos utilizar o storytelling para construir o branding do candidato, para divulgar obras e projetos, na produção de conteúdo (do texto ao vídeo) e até na estruturação de discursos e participação em debates.

 

Em um mandato – com um tempo bem maior do que uma campanha eleitoral – como deve ser utilizado o storytelling na comunicação política?

Uma história não acaba no dia da eleição. Ainda que o ambiente e os objetivos sejam diferentes, não vejo porque o candidato deva descontinuar o trabalho de construção de narrativa que começou meses (se possível anos) antes.
A verdade é que nós, seres humanos, nos identificamos muito mais com pessoas do que coisas, objetos, marcas e instituições. No final do dia o cidadão que estiver emocionalmente conectado ao governante terá mais chance de apoiar, e até perdoar, seu governo.
Mas isso não significa que o storytelling não possa ser utilizado em um nível institucional. Pode e deve. Desde a construção de uma marca até a comunicação contínua com a sociedade. Se esse tipo de técnica pode ser aplicada à venda de um carro ou uma pasta de dente, também pode à oferta de um serviço público ou uma campanha de conscientização, por exemplo.

 
O que o público pode esperar do seu curso em Florianópolis no dia 11 de março?

Nós vamos entender profundamente o que é esse tal de storytelling e, principalmente, como essa técnica pode ser aplicada em diversos momentos da comunicação política. Os alunos terão chance de discutir e colocar em prática. Será um dia intenso, mas divertido!

Esta matéria contou com apoio do jornalista Marcelo Tolentino.

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