A expressão está na moda: distinguir comportamentos e chamá-los de preconceituosos faz parte do politicamente correto.
É claro, a igualdade de direitos é prevista na Declaração dos Direitos Humanos da ONU, é um direito previsto na Constituição brasileira, está nas leis e deve ser posta em prática.
Mas, será mesmo que apenas o aspecto social evidente: de promover a inclusão das diferenças, resgatar direitos negados às minorias, promover a dignidade humana, de uma forma geral, é suficiente? O que mais é preciso para que nos estranhemos menos?
O que gera, afinal, o preconceito?
Há muitos níveis de preconceito. O mais evidente é aquele que diz respeito às diferenças externas. É nesse nível, por ser o mais reconhecível, e que as leis têm exercido alguma influência favorável.
Em um nível mais profundo, porém, o preconceito mora no âmbito das ideias que nos constituem sujeitos diferentes. Parece que o preconceito acontece realmente porque temos medo de estarmos errados em nossas verdades, em nosso modo de viver.
A reação de estranhamento exprime a sensação de que os diferentes de nós são os errados (pois não participam do mundo da mesma maneira que nós, por quaisquer condições, voluntárias ou não). Esse é o Pré-conceito que fazemos.
Quando nos deparamos com outras cosmologias, outros mitos, outras perspectivas, nossa segurança e a condição de vantagem que imaginávamos possuir, se esvai. Cogitar que há outras formas de compreender e estar no mundo tão válidas quanto a que adotamos, expõe nossas fragilidades perante a vida.
A demanda por inclusão precisa ultrapassar o óbvio – é necessário permear nossos olhares com os dos Outros, abrir-se para o conhecimento novo. Até mesmo para que nos surpreendamos com os mitos que criamos sobre os diferentes.
A empatia gerada pela aproximação é um caminho para as trocas necessárias. Ações benevolentes e politicamente corretas são um começo, mas precisamos estar atentos para que não se transformem em mera perfumaria social. Assim como, é importante ter o que compartilhar com os diferentes. Para tanto, precisamos cultivar valores, nossa riqueza cultural, nossos temores e liberdades.
Principalmente – é preciso estar aberto para ser incluído nas vidas, nas culturas, nas perspectivas dos Outros.
