
Nas prefeituras, o problema se repete. As mulheres são prefeitas em apenas 12% dos 5.570 municípios do Brasil. No Sul do país a situação é ainda pior. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina – quem diria! – são os estados com o menor percentual de prefeitas eleitas. Apenas 37 cidades gaúchas elegeram prefeitas, ou seja, 7,44% do total. Santa Catarina vem em segundo, com 7,79%.
Isso prova que o machismo ainda está muito enraizado na sociedade brasileira. Com dupla ou tripla jornada de trabalho, além de outros fatores, a atividade política é muito difícil para uma mulher casada, por exemplo. E mesmo quando ela consegue vencer essas barreiras, não recebe o voto de confiança da maioria das mulheres. E dos homens!
Claro, você e eu não somos machistas! Ou, pelo menos, achamos que não, embora a probabilidade não esteja ao nosso lado.
Na melhor das hipóteses, se não somos machistas, somos péssimos em matemática. Pesquisa da Expertise informa que 75% dos brasileiros percebem a nossa sociedade como machista. No entanto, quando solicitados a fazer uma autoavaliação, apenas um terço dos homens entrevistados admite ser machista ou “um pouco machista”. Conclusão: a conta não fecha, o problema é sempre o outro.
Resultado dessa cultura patriarcal que há milênios domina o mundo, o machismo é incorporado também por muitas mulheres, que reproduzem os valores mais conservadores. Isso torna o problema da representação política ainda mais complexo. Votar em uma mulher não é garantia de que ela defenderá, por exemplo, avanços na luta feminista. Mas é fato que, quanto mais equilibrado estiver o Parlamento em relação à representação política, de gênero, de classe, de etnia, dos mais diferentes segmentos da sociedade, mais aumentam as chances de que as demandas específicas de cada grupo social possam ser legitimadas e acolhidas em novas leis, novos costumes, fazendo avançar a democracia.
Admitir a existência de um problema é o primeiro passo para a resolução. Não é fácil, pois todos nós construímos uma boa imagem – necessária – de si. Mas quando todos esses dados apontam numa mesma direção, fica difícil negar.
Eu, machista?
