Especial – A paixão que move a relação dos ouvintes com o Rádio

14 de Abril de 2021

Das cartinhas às mensagens nas redes digitais, o casos de relacionamento de ouvintes com emissoras de Santa Catarina

Imagem: Andrea Piacquadio from Pexels

 

Dona Tereza da Fonseca morava no interior de São Domingos, no Oeste do estado. Era ouvinte assídua da Rádio Clube. Como antigamente, escrevia cartas pedindo músicas para homenagear parentes e amigos. Fazia questão de levar pessoalmente as cartas até a emissora. Para não perder a viagem, entregava cartas para a semana toda. Nenhum aniversário da família passava em branco. Mas, aos 73 anos, a ouvinte morreu em março por vários problemas de saúde. 

A jornalista da Clube, Keli Camiloti, relembra. “Dona Tereza ouvia todos os programas, mas era superfã do programa Sandro Cristiano. Em 2018, a surpreendemos com a visita do Sandro em sua casa. Eu acompanhei o momento e foi muito emocionante”. “Chegamos na casa de dona Tereza e ela estava sentada na área com seu radinho de pilha sintonizado na Clube. Ela não acreditava que estávamos lá. Foi um momento especial para nós também, pois se tratava de uma ouvinte que nos acompanhava desde o início das atividades da emissora. Com o seu falecimento, chegou ao fim o ciclo das cartinhas, que foram substituídas por mensagens de whatsapp”, destaca Sandro Cristiano. 

O Rádio de Santa Catarina coleciona diariamente milhares de casos de paixão do ouvinte. Não importa a idade, o lugar, a programação, o radialista. No Sul do estado, Eduardo Baesso Viola, 39 anos, é fã da Rádio Cidade em Dia, de Criciúma. Ele faz parte da faixa etária que mais ouve rádio. Segundo pesquisas, 55% dos ouvintes estão na faixa de 30 a 59 anos.  Para uma melhor interação com os comunicadores da emissora, o ouvinte prefere acompanhar a programação pelas redes sociais. “A gente pode mandar mensagem, baixar os vídeos, interagir com os locutores. Então, para mim, o mais importante é o facebook e o youtube”. 

Para Eduardo, outro motivo para gostar tanto do Rádio é a credibilidade do veículo. É assim que pensam também 50% dos brasileiros, de acordo com pesquisa do Datafolha. “A gente tem que estar bem informado. E a informação da rádio chega na hora. A informação é dada com embasamento, checada. Eu sou apaixonado por rádio. Se pudesse, ouvia o dia inteiro”. 

Aplicativo
O caminhoneiro Osvaldir Santin, mais conhecido como Patroleiro, 38 anos, gosta tanto da Rádio Caçanjurê, de Caçador, que ele chegou a produzir uma placa com os nomes de todos apresentadores e programas da emissora, que fica exposta na traseira do seu caminhão. O que mais chama atenção dele é o serviço comunitário prestado pela rádio. “Tem muita coisa voltada à população. Ajuda muito as pessoas. A rádio dá muita voz ativa para os ouvintes. Tem alguma coisa acontecendo na cidade, o povo tem a voz.”

Sempre na estrada, o Patroleiro não deixa de acompanhar a Caçanjurê. Ele tem o aplicativo da emissora. Não importa onde esteja, o ouvinte fica sabendo das notícias de Caçador e Região. Aliás, o número de ouvintes de rádio no celular vem crescendo. Em 2020, 23% já acompanhavam as emissoras em aplicativos. Para Santin, o alto astral dos comunicadores é contagiante. “A energia positiva que cada comunicador transmite. Muitas vezes, eu me identifico porque aquele locutor especificamente naquele momento está falando comigo, está falando para mim. Eles passam um ânimo e te levantam o astral. Não é só um. São todos”.

Casamento
Foi por meio do rádio que o casal Andrei Bogo e Camila Raitz se conheceu. Prestavam atenção nos pedidos de música da Demais FM, de Taió. Uma cutucada na página do facebook foi o início de uma amizade que logo se transformou em namoro. Eles acabaram se casando, tendo como testemunhas os comunicadores da rádio. Hoje, continuam assíduos ouvintes da Demais FM. “Na hora de ordenhar, até as vaquinhas escutam a rádio”, brinca Andrei. 

Companheiro de todas as horas. Interatividade. Essas são duas das principais características do Rádio para a maioria dos ouvintes. De acordo com levantamento da Kantar Ibope, os ouvintes da Região Sul do país  passam em média 4h19 do dia acompanhando o rádio. Em São Miguel do Oeste,  Jeberson Almeida Flores tem uma barbearia, onde também trabalham seus dois filhos gêmeos: Lucas e André. O rádio fica ligado na 103 FM desde a hora que ele abre a barbearia até o fechamento. Ele acompanha praticamente toda a programação.  

“É a nossa parceira de todos os dias. Nossa companheira. Às 8 horas da manhã, quando abrimos, o radinho já está sintonizado. Eles interagem com os ouvintes. É uma maneira moderna como eles fazem o rádio, com bastante interação. Isso chama o ouvinte para mais perto do rádio”. 

Todo o carinho do ouvinte com o pessoal do rádio rende muitas vezes um mimo durante o dia. Como explica a jornalista Silvana Toldo Ruschel, da 103 FM. “Nós estamos aqui trabalhando e aí recebemos uma cuca, salgados. Enfim, o lanchinho do meio da manhã está garantido, porque aquele ouvinte que estava na cozinha, lembrou da gente. Uma relação muito importante, já que a gente faz companhia para as pessoas no seu dia-a-dia. E aí receber esse carinho é muito emocionante. Tem aquele ouvinte que a gente pode mandar um alô a qualquer hora do dia, que ele já responde no whatsapp. Essa relação é muito mágica”.

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