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Endividamento do setor gastronômico prejudica recuperação em Santa Catarina
24 de Janeiro de 2022

Endividamento do setor gastronômico prejudica recuperação em Santa Catarina

Pesquisa da Abrasel mostra que início da temporada de verão traz pessimismo quanto ao restante do período

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A recente retomada da gastronomia catarinense será lenta e estima-se que deverá levar entre dois e cinco anos para que o setor recupere os prejuízos causados pela pandemia, de acordo com a pesquisa realizada pela Abrasel em Santa Catarina, entre 23 de dezembro e 10 de janeiro. Houve crescimento das empresas endividadas – em 2020 eram 41,4% e em 2022 o número subiu para os alarmantes 67,5%. “É uma situação extremamente crítica, agravada pelos sucessivos aumentos da taxa de Selic, colocando em risco a sobrevivência de muitas destas empresas”, ressalta o presidente da entidade, Raphael Dabdab, frisando que 17,9% dos empresários não estão conseguindo pagar todas as obrigações em dia, sob o iminente risco de fecharem em curto prazo.

As principais causas para esse cenário são os impactos econômicos das restrições de combate à pandemia, sem nenhum tipo de compensação ou auxílio financeiro pelo poder público – enquanto diversos estados reduziram a carga tributária do setor para preservar empresas e empregos. Na contramão, em Santa Catarina o Governo do Estado aumentou a carga para o setor, que já era uma das mais altas do país. E nenhuma prefeitura isentou IPTU e a Taxa de Resíduos referentes ao período em que as empresas ficaram fechadas ou com severas restrições de capacidade de atendimento.

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Além disto, o segmento teve uma alta inflação, que corroeu a saúde financeira das empresas – os aumentos nas carnes beiraram os 40%, a energia elétrica os 25% e os aluguéis cerca de 18% – todos absorvidos significativamente pelos estabelecimentos, já que os consumidores também foram impactados pela inflação e tiveram grande perda de poder de compra. “Enquanto a inflação da alimentação fora do lar (restaurantes) foi em torno de 13% em 2021, na alimentação no lar (supermercados) o acréscimo foi de 21,39%”, esclarece Dabdab. De acordo com a consulta, 70,5% dos entrevistados ainda não conseguiram recuperar a rentabilidade desejada.

O início desta temporada de verão ficou abaixo das expectativas do setor. Embora o número de clientes foi próximo ao da temporada pré-pandemia, para 65,5% dos entrevistados o período começou melhor ou muito melhor do que o mesmo do ano anterior. Porém, o gasto médio de consumidor caiu para 54,1% dos entrevistados, confirmando que a alta inflação impactou fortemente o poder de compra. Por isso o empresário não está otimista quanto ao restante deste verão em Santa Catarina – aproximadamente 46% dos entrevistados acreditam que o período será igual ou inferior ao período pré-pandemia.

Para Dabdab, o recente aumento da taxa de contágio devido à variante ômicron da Covid-19 também é um fator que afeta o otimismo dos empresários quanto ao restante da temporada, mesmo com os protocolos seguidos à risca e com baixo impacto na ocupação dos leitos das unidades de saúde de Santa Catarina. “A maior preocupação é quanto ao crescente afastamento dos trabalhadores suspeitos de contaminação, o que compromete a operação diante da alta demanda”.

Dabdab frisa que a esperança dos empresários está na sensibilidade dos deputados estaduais, que no final do ano passado aprovaram um projeto de lei de equiparação da carga de ICMS de Santa Catarina à do Paraná, o que representaria uma redução dos atuais 7% para 3,2% de carga efetiva do tributo. “Pedimos que nossos parlamentares mantenham sua coerência com a pauta e derrubem o veto do governador no retorno das atividades da Assembleia Legislativa. Afinal, precisamos de mais empregos e o nosso setor é um dos maiores geradores. “Em Santa Catarina representávamos mais de 100 mil empregos diretos antes da pandemia. A redução da carga tributária estimularia sobremaneira o crescimento das empresas, atraindo novos investimentos”, alerta.

 

Foto de Loong Ken no Pexels.

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