Cuidado com as famosas canetas de brindes?
07 de Fevereiro de 2012

Cuidado com as famosas canetas de brindes?

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*Por Daniel Argolo
 
Outro dia ganhei uma caneta de presente, brinde comum no início de ano por já fazer parte do “pacotão de fidelização” que a grande maioria das marcas acham relevantes. Ao usar meu mais novo mimo pela primeira vez, observei o tamanho da logomarca e os detalhes “cromados” que, simulados por pintura, faziam dela uma belíssima caneta. A distância, um presente. De perto, pegando carona na atual crise da Grécia, só se for de grego.
 
Ante de dar continuidade à minha reflexão quero deixar claro que não tenho nada contra empresas de brindes, muito menos de presentear pessoas de sua relação comercial com algo de valor. O que motivou esse breve artigo foi a constatação de que a maioria das empresas decidem imprimir suas marcas em modelos econômicos que, quando não soltam tinta por dentro, descascam por fora. Isso sem falar quando em pleno uso pula a mola e a caneta se desintegra por inteira.
 
Certa vez uma maledita dessas estourou e vazou tinta em uma camisa cara que eu acabara de comprar. Imagina se esqueci da marca que estava impressa naquela porcaria? Claro que não, até hoje fico “p” da vida com o tal brinde. Aliás, de lá pra cá adotei em definitivo o grafite, lápis ou lapiseira, como instrumento de trabalho. Vão-se as árvores mas ficam as camisas. E olha que me considero uma pessoa ecologicamente consciente.
 
A verdade é que como profissional de comunicação, senti o desejo de revisitar a máxima de que todo ponto de contato com a marca proporciona, de fato, uma experiência. E, portanto, ao tomar a decisão de investir em um brinde para propagar uma marca em alta escala, não vá de bonitinho mas ordinário. Nada mais óbvio, uma vez que é a imagem da sua empresa que estará sendo representada por tal brinde. Se assim o fizer, uma coisa é certa: você  estará jogando seu dinheiro e, pior que isso, a sua marca na lata do lixo.
 
Quando trabalhei no grupo Ogilvy aprendi que comunicação 360º é prestar atenção em todos os pontos de contato que sua marca oferece. Do crachá ao anúcio, da fachada ao produto, da recepção ao comunicado, do uniforme ao brinde. Marcas são construídas ao longo dos anos, com investimentos em diferentes frentes. E a caneta de brinde pode sim ser um belo ponto de contato com seu target, se for uma peça diferenciada. Até hoje guardo uma caneta que ganhei da BMW (uma espécie de herança de família). E, apesar de velhinha, posso lhes garantir que ela continua charmosa e em plena forma física.
 
Esse mesmo raciocínio deve ser levado em consideração em todas as escolhas que as marcas pretendem fazer. Ao investir em um brinde, contratar um profissional ou agência de propaganda, ou qualquer outro tipo de fornecedor, a decisão não deve ser caucada exclusivamente no custo. Sem custo não há benefício, nem argumetos que ajudem a consolidar sua imagem de marca. Se for o caso de economizar, não faça nada. Poupe o dinheiro e aplique em algo de valor assim que atingir budget necessário. Aliás, trabalhar com a realidade é a base de todo relacionamento de sucesso. Pare e pense: como e quanto você tem investido na relação da sua marca com os decisores e influenciadores de seu produto/serviço?
 
Faça um exercício mental e depois coloque no papel. Por motivos claros, sugiro fazer lápis, para não correr o risco de ser atacado por uma canetinha de brinde. Liste todos os pontos de contatos que sua marca tem com o seu público-alvo e avalie a importância que tem dado aos mesmos. E, como estímulo, procure lembrar de quantas canetas de brindes (sempre assinadas por marcas) já quebraram em suas mãos até você jogá-las no lixo (quase sempre com raiva).
 
Boa reflexão.

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