Catarina Criativa e seus privilegiados
15 de Agosto de 2013

Catarina Criativa e seus privilegiados

Publicidade

O lançamento do programa Catarina Criativa no Sapiens parque começou mal. Aparentemente coberto de boas intenções com oficinas, pitching, novas tecnologias, games, audiovisual, reunindo instituições como: CODESC, Sapiens Parque, Cinemateca Catarinense, Instituto Sapeientia, Santacine, Acate e Ancine, todos amealhados pela Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte do Governo do Estado de Santa Catarina. Tudo politicamente correto. Ou melhor, quase tudo. Vou retroagir no tempo para fazer me entender melhor. Em 1983 o cineasta catarinense Marcos Farias, tentou iniciar um polo de cinema em Santa Catarina produzindo um filme com quatro histórias de escritores catarinenses*. Depois de inúmeras tratativas com o Governo de Santa Catarina o projeto foi rejeitado, pois o governo catarinense preferiu investir numa produção do Rio de Janeiro. Garota Dourada foi filmado em Garopaba com a promessa de divulgar Santa Catarina para o Brasil. Há poucos anos atrás, outro Governador atrasou os editais de fomento ao cinema para investir significativamente em duas produções que iriam divulgar Santa Catarina para o mundo: “Segurança Nacional” e “The Heartbreaker”, ambos de Roberto Carminati. Paralelamente, desde 2001, militantes realizadores do Cinema em Santa Catarina, juntamente com o Governo do Estado, têm promovido o maior e melhor sistema de fomento ao audiovisual no Estado. Ainda é pouco, mas é a melhor forma encontrada de aquecer a economia do audiovisual, sem deixar de respeitar e considerar o trabalho dessas gerações de artistas e profissionais. Catarina Criativa comete o absurdo de escolher, sem nenhum critério, o filme “Pequeno Segredo” de David Schurmann, como carro chefe do Programa. A família também está realizando o documentário de longa-metragem sobre o submarino alemão afundado em nossos mares na Segunda Grande Guerra. O próprio release da Secretaria ressalta: “O longa-metragem “Pequeno Segredo”, de David Schurmann, vai movimentar o cenário do audiovisual catarinense e mostrar as belezas naturais de Florianópolis e região para o mundo”. Não seria melhor fazer uma publicidade? É claro que os produtores e co-produtores estão defendendo os seus projetos, mas o governo, representado por Beto Martins, defender acintosamente a escolha sem critérios dessa produção, dizendo que teve o trabalho de ler o livro homônimo, no qual o filme se baseia, é extremamente preocupante. É certo que ele desconhece nossas produções. Pois com sua decisão, passou por cima de todos os filmes e de todos os realizadores que lutaram para implantar um sistema de Editas, exemplo para o país, que fomenta a produção catarinense, desde 2001, de forma democrática e transparente.  Como o próprio Beto Martins, humildemente admitiu no início do seu discurso, ele é da área de gestão pública e em matéria de cultura está aprendendo. Entrou na escola errada meu caro. Mas, ética vem de berço. Por isso, creio que alguns entraram de gaiato nessa tramoia. Conheço o Manoel Rangel dos tempos da ABD e por sua atuação a frente da ANCINE, tenho certeza que ele não tinha conhecimento desses trâmites obscuros. Mas há tempo de remediar, acho que existem nesses processos pessoas e entidades capazes de ver a roubada que estão entrando e consertar o programa desde já.

*A exposição sobre o Marcos Farias, de César Cavalcanti, esta na sede da TVUFSC, na Rua Dom Joaquim, 757 – Centro – FPOLIS – SC

Publicidade
Publicidade
WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter