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Cada um, cada um
05 de Janeiro de 2012

Cada um, cada um

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Por Ligia Fascioni 05 de Janeiro de 2012 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

É janeiro e, entre outras coisas, isso quer dizer que vai começar mais um BBB. Tem também um outro reality bombando (um que mostra o dia-a-dia de mulheres ricas). E não se pode esquecer do sucesso global e imperdoável de um rapaz chamado Michel Teló (seja lá quem ele for, já devia saber que no Brasil fazer sucesso é crime).

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Bom, não tenho TV e nem moro no Brasil. Como sei de tudo isso? É que minha timeline no Twitter e no Facebook está floodando de gente se rasgando por conta da diferença de gostos. Uns amam e outros abominam. Aparentemente, essas pessoas não conseguem coexistir no mesmo espaço virtual, a julgar pelas manifestações irritadíssimas de todos os lados. Estão rolando até propostas para fazer uma lei que impeça a exibição de reality shows no Brasil. Pode isso, Arnaldo?

O pior é que muitas dessas manifestações vêm de pessoas que vivem defendendo causas politicamente corretas. Mas regular o gosto alheio não seria o top do politicamente incorreto?

Os que se acham "mais esclarecidos" (adoro esse tom de superioridade cultural) advogam que reality shows e música sertaneja são alienantes e quem gosta disso só pode ser ignorante. Os "ignorantes" reclamam, com razão, o direito de gostarem do que quiserem. Certos eles.

Gente, qual o problema de gostar de BBB? E de Michel Teló? E de "Mulheres Ricas"? E de "A fazenda"? E de "Dr. Hollywood"? E namorar moços e moças? E postar fotos constrangedoramente sexies? E de assistir Hebe Camargo? E de não perder o Jô Soares? E de preferir não comer carne? E de só ouvir música clássica? E de fotografar cada prato que come e postar? E de defender animais? E de colecionar mensagens kitsch com lições de vida? A resposta é, reparem bem: NENHUM!

Cada um gosta do que escolhe e ninguém tem nada com isso. Detesta BBBs? Não assista! É contra o casamento gay? Não case com alguém do mesmo sexo. Acha que bicho morto não é para comer? Não coma. Considera Paulo Coelho o fundo do poço literário? Não leia. Simples assim. Mas deixe os que pensam diferente em paz.

O que não vale é querer que os outros tenham os mesmos gostos que você. O que faz a vida na terra ser tão divertida e interessante é justamente essas diferenças de perfis entre os viventes. Experimente viver num mundo padronizado e veja só que graça tem: zero.

"Ahhh… eu não assisto, mas nas redes sociais só se fala disso, não dá para ficar de fora", é a queixa que mais ouço (quer dizer, leio).

Gente, vou falar uma coisa. Não gosto de futebol. Acho chatíssimo. Mas seria bizarro eu sair por aí dizendo que as pessoas que gostam do esporte são toscas, bobas, feias, xexelentas ou fedidas. Tem dias que as redes sociais não falam em outra coisa (Imagina só na copa?…).

E aí? Vou gastar meu tempo xingando muito no twitter? Pra quê? Eu saio dali e vou fazer outra coisa, oras. As pessoas se esquecem que tudo o que lêem, vêem, ouvem, comem e fazem está inteiramente sob o seu controle. Não quer fazer parte da discussão, é simples: não faça mesmo. Sem bicos e sem mágoas. Não gostou da vibe da festa? Volte outro dia.

Está irritado com o BBB ou com as ricaças? Aproveite para ler um livro, ouvir uma música, dançar, visitar uma exposição, namorar, desenhar, lavar louça, arrumar gavetas ou dormir. Sei lá. Mas não estrague o prazer dos outros.

Isso sim, é muito chato.

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