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Babel
31 de Março de 2014

Babel

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Atitudes ousadas e críticas, quando precedidas de prévia reflexão, são louváveis, especialmente em tempos de apatia. É necessário criar novas formas de coexistir e o primeiro passo é questionar a forma antiga. Por outro lado, a recusa a todo tipo de questionamento é também uma atitude socialmente forte, que repercute pela negação e tolhe as possibilidades de um desdobramento positivo de tais críticas.

Uma das grandes bandeiras na defesa dos direitos humanos sempre foi a da tolerância para com as diferenças: para com quem tem crenças, costumes e culturas diversas das nossas. A almejada tolerância não chega a ser o melhor dos trunfos, quando se deseja algo mais  ambicioso como a compreensão e a empatia pelo Outro diferente, defendida pela ética do paradigma ecológico. No entanto, quando queremos e precisamos de um mundo mais coeso e solidário, uma Babel se descortina.

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A Intolerância é o mais grave e insurgente fenômeno a se manifestar neste início de século. Cega e insana, exorbita os limites da civilidade, grotesca e febril. A Intolerância tem a cara do medo, do inflexível e do retrocesso. A Intolerância cala, zera a comunicação que é o distintivo do humano. Ruidosa e violenta, massacra em soluços o argumento, destroça as pontes de entendimento, corrompe a palavra, sangra. A Intolerância é a inimiga da Paz.

A era da internet tem intensificado a comunicação e passa a dar visibilidade a um contingente sem número de vozes antes restritas aos entremuros das casas e escritórios. Nos deparamos com a realidade de que falamos diversas “línguas”. Com formações e aspirações diversas, lançam-se às redes palavras desencontradas que nos afastam uns dos outros. Esquecemos que as palavras têm força e que, como diz o antigo ditado “toda palavra é início de ação”.

Os embates verbais fazem parte da democracia. Precisamos expor e conhecer o pensamento dos muitos que passeiam nas ruas ao nosso lado. É importante construir um social comunitário, onde as ideias e opiniões sejam livres e que todos contribuam. Faz parte das dificuldades da sociedade humana esse convívio crítico e consciente das diferenças.

Não precisamos, não devemos deixar, no entanto, que os piores “demônios” da nossa mente poluam o coletivo, criando barreiras e rótulos, estigmatizando os diferentes e corrompendo o processo comunicativo – gerando um “efeito Babel”.

O viver humano exige mais do que tolerância, mas ela foi o primeiro passo consciente e autônomo que nos permitiu “sustentar” o projeto de civilização até os dias de hoje.

Não nos enganemos com o efeito superficial das nossas falas. O que ouvimos, sentimos e expressamos está intimamente interligado com as nossas emoções.  Portanto, as nossas emoções, antes de se exporem inadvertidamente causando estragos, devem ser filtradas pela Razão.

O binômio Emoção/Razão, que não se opõe necessariamente, é o guardião da nossa sensatez, e é com ele que poderemos articular os quereres coletivos e avançar na aventura doce e arriscada da nossa humanidade.

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