ARTIGO | Os veículos de comunicação podem mudar o rumo das eleições
05 de Julho de 2022

ARTIGO | Os veículos de comunicação podem mudar o rumo das eleições

Sites e redes sociais também serão considerados como meios de comunicação de massa no próximo pleito

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*Por José Alves Trigo

 

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Esta discussão começa com a necessidade de definir o que são os meios de comunicação de massa nos dias de hoje. A primeira ideia é de que sejam veículos como jornais, revistas e redes de televisão e rádio.

Mas as coisas mudaram. O próprio TSE (Tribunal Superior Eleitoral) definiu recentemente que o que chamamos de novas mídias, como as redes sociais e os sites, também serão considerados como meios de comunicação de massa nas próximas eleições.

A tendência é acharmos que os veículos tidos como tradicionais têm uma influência cada vez mais relativa, menor, considerando-se que as redes possuem uma abrangência maior. Mas isto é meia-verdade.

Temos no Brasil um cenário peculiar. Há um fascínio pelas redes sociais. Segundo dados do site Hootsuite, no relatório Digital Trends de 2021, o Brasil é o terceiro país do mundo em que a população mais usa diariamente as redes, ficando atrás apenas das Filipinas e da Colômbia.

Relatório divulgado recentemente pelo Reuters Institute Digital News Report mostra mais alguns dados que merecem destaques. Mais da metade dos brasileiros entrevistados (64%) se informa via redes sociais. Apenas 12% usam os veículos impressos. Para efeitos de comparação, na Alemanha, 32% dos entrevistados usam as redes sociais e 26% acessam os veículos impressos. O relatório mostra que parece haver uma relação entre educação formal e uso das redes sociais. Na Finlândia, país considerado como exemplo de eficiência na educação, 45% das pessoas usam as redes e 31% ainda acessam as notícias impressas.

Há no Brasil uma configuração singular. Os sites mais acessados estão, em sua maioria, atrelados aos conglomerados tidos como tradicionais dos meios de comunicação. Ou seja, é a mídia convencional quem, em muitos casos, fornece boa parte das notícias aos sites e, por sua vez, às redes sociais. Há exceções, como os sites Metrópoles e o Intercept, que têm desenvolvido reportagens investigativas independentes.

As redes tradicionais, incluindo os impressos, ainda são importantes na comunicação política, afinal são elas que pautam as redes sociais na maioria das vezes. O que as redes sociais têm feito é repercutir o noticiário convencional, acrescentando (ou não) análises.

Mesmo em noticiários com grande repercussão nas redes, como nos protestos de 2013, foi a mídia habitual quem deu as informações para as redes. Grupos como o Globo, Folha (UOL) e Estadão continuam dar muita amplitude a suas reportagens.

As redes sociais foram importantes nas eleições de 2018 no Brasil e na eleição de Trump nos Estados Unidos quando propagaram um grande número de informações falsas, as “fake news”. Porém, é bem improvável que esse tipo de estratégia de informação ainda funcione com a mesma eficiência nas próximas eleições.

Uma coisa parece certa: é provável que as tradicionais campanhas políticas, veiculadas na mídia, tenham efeito relativo em 2022. Para não dizer pouco significativo.

As mídias de massa podem influenciar as eleições caso tenha algum fato novo e que possuam potencial para ser repercutido nas redes sociais. É o que chamamos de transmídia, a mídia percorrendo por diversos veículos e ganhando novos contornos. As informações que são impulsionadas nas redes e muitas vezes alimentadas pelas mídias tradicionais.

 

José Alves Trigo é professor de Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie e doutor em Análise do Discurso. Atuou como jornalista no Jornal Folha de S. Paulo e A Tribuna, de Santos.

 

Foto do topo de Pexels

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