ARTIGO | O que esperar do segundo turno? – Por Laudelino José Sardá
09 de Outubro de 2018

ARTIGO | O que esperar do segundo turno? – Por Laudelino José Sardá

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Em 1989, os políticos foram surpreendidos com a vitória de Fernando Collor, um desconhecido que cerrava o pulso para prometer acabar com o atraso de um país governado por grupos corporativos e oligárquicos. A vitória de Collor, contudo, não reduziu a força dos partidos no Congresso Nacional e nem conseguiu combateu a voracidade dos políticos, que acabaram cassando o seu mandato. É importante lembrar que Collor descendia também de uma família oligarca, cujo pai, Arnon de Mello, matou o senador José Kairala dentro do Senado. 

Já o presidente Lula da Silva sobreviveu à força da política imperial com um discurso bastante conciliador. Aproximou-se do pensamento da direita, escolhendo o empresário José de Alencar para ser o seu vice na chapa. A confraria ganhou força, com José Sarney, Itamar Franco, Orestes Quércia, Renan Calheiros, empresários Josmar Avelino, da Klabin, e Eugênio Staub, da Gradiente, Ulisses Guimarães e, inclusive, Delfim Neto, para quem “o PT faria um governo socialdemocrata de verdade”. Lula não assustou a direita. Bem ao contrário, abriu as portas do palácio para o PMDB, PP e a outros partidos.

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E agora, com Bolsonaro?

Com Collor, o Brasil estava anestesiado pelas denúncias de corrupção que não encontraram eco nem mesmo nos tribunais de justiça. Já a candidatura de Bolsonaro recebeu prontas as reações populares desencadeadas a partir de ações de promotores e juízes contra a corrupção e a epidemia de violência que varre principalmente os centros urbanos dos 27 estados e o distrito federal. O discurso de Bolsonaro aproveitou-se da cólera e do medo silenciosos da população, como um grito armado contra a intolerância. E investiu contra o modelo político, onde a corrupção explodiu, a partir do mensalão. O respingo desse grito está na eleição de seis deputados do nanico PSL em SC e na derrota de políticos tradicionais, como Romero Jucá e a filha do Sarney, além de tantos outros.

E o que pode ocorrer?

Entre as reações de medo a Bolsonaro e o temor a um perdão a corruptos, o Brasil vive um cenário inimaginável, com a tendência, hoje, de os eleitores optarem por um “basta” à devassidão do erário público. E ao longo dos próximos dois anos, o que seria possível de se imaginar como um dos dois resultados? No primeiro, há sérios riscos de voltarmos a conviver com o autoritarismo, estimulando-se a sociedade a assumir papéis policialescos, comprometendo, sem dúvida, as instituições. No segundo cenário de resultado, há o risco de as instituições escolherem o caminho tortuoso do “perdão coletivo”, acordo que poria em risco também as próprias instituições.

O que esperar?

As campanhas, propostas e debates no segundo turno precisam ensejar aos brasileiros uma convicção: a de votar com a menor risco de frustração. E os veículos de comunicação têm de exercer esse papel, o de mostrar a realidade e tendência, com os perfis dos candidatos e dos partidos.

O certo é que os brasileiros vivem entre essas duas opções: a incerteza reverberada em um país que não quer a volta do autoritarismo e o repúdio a tentativas de perdão aos corruptos. Em quem acreditar? Com certeza, ouvir e refletir bem sobre os discursos dos dois extremos. Está muito difícil, mas a democracia requer juízo.

 

*Laudelino José Sardá | Atuou durante 30 anos em jornais, na televisão e no rádio. Foi Assessor de Comunicação da UFSC. Atualmente leciona e dirige a Assessoria de Comunicação e Marketing da UNISUL. É graduado em Letras e Comunicação, Especialista em Jornalismo Científico e Doutor em Engenharia da Produção na área de Gestão da Comunicação nas Organizações.

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