Afinal, o que queremos
19 de Fevereiro de 2014

Afinal, o que queremos

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Ao ler o suplemento do DC, 18.2, com indicativos de atrações turísticas em Florianópolis, sob o patrocínio do Bokarra, refleti para inicialmente ter a convicção de que minha repulsa não decorria de um sentimento conservador. Logo me veio a pergunta: a Zero Hora faria isso em Porto Alegre?

Não saberia responder, mas tenho a certeza de que a RBS pensaria diferente se tivesse de publicar um suplemento como esse ( de bom conteúdo informativo) na sua terra. E por quê?

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Quem ama esta terra e viu esse suplemento foi rápido na conclusão de que as quase três centenas de estrangeiros, presentes no Congresso da Copa, estão sendo açulados a um turismo sexual, muito embora o conteúdo do caderno seja bom, mesmo ocultando  os traços culturais de uma cidade que, entre os  séculos XVII e XIX,  recebeu navegadores espanhóis, portugueses, franceses, alemães, etc.

Não sou pudibundo e nem careta, mas estamos fomentando um turismo descartável, como se na ilha cercada de águas por todos os lados não houvesse um legado cultural riquíssimo. Claro que necessitamos de uma política cultural e que a prefeitura ainda não disse por que criou a secretaria. Precisamos colocar em um museu decente as ricas contribuições em escultura, desenhos, poemas e histórias de Franklin Cascaes, Rodrigo de Haro e de outros; nossas produções cinematográficas, musicais e de outras artes merecem ser exibidas, e é fundamental  promover essas novas gerações que desencadeiam uma riqueza infinita de músicas, esculturas, literatura, etc.etc.

Se eu me colocasse no lugar de um dos membros do congresso da Copa, ansioso por conhecer as singularidades da Ilha, já estaria excitado com o suplemento. As fotos de mulheres belíssimas e nuas e o convite para a melhor casa de shows da região não me deixariam na hesitação.

Sob esta ótica é possível analisar o compromisso e o comprometimento da mídia com a cidade. As oportunidades de ganhar dinheiro não podem comprometer a ética e a moral da cidade. Sou pudico? Não me considero. Longe da emoção e sob a visão racional, precisamos, sobretudo, cuidar da nossa cidade, amando-a acima de interesses aleatórios. (produzido em 18.02)

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