A retomada da ética em tempos revoltos
01 de Julho de 2013

A retomada da ética em tempos revoltos

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Os ativistas, depois os jovens, depois a comunidade digital, e por fim o povo em geral – todos às ruas. Compreender a mobilização que vem contaminando (positivamente) os brasileiros tornou-se um desafio para especialistas das mais diversas áreas, e principalmente para as instituições criticadas. 

O fato é que uma fagulha de evocação de uma nova ética está desencadeando uma série de importantes e valiosas mudanças de cunho sociopolítico. Nos dias que se passaram, o futebol, considerado a paixão nacional, competiu e perdeu espaço e  atenção para a política. Em regime de urgência, foram levados a votação temas que incomodam os brasileiros há tempos imemoriais. De forma inédita, governantes tentam angustiadamente recuperar a credibilidade e estabelecer novos canais de comunicação com a sociedade.

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Que fenômeno é esse? Como foi possível e para onde vai nos levar? Passando ao largo das teorias conspiratórias, podemos perceber que estamos vivenciando um processo revolucionário de raízes éticas, que marca a transição de uma ética individualista quase irresponsável para uma ética ecológica, do cuidado com a Vida, responsável e altruísta.

Sair do comodismo, despertar, é preocupar-se com o que diz respeito a todos, à comunidade, à sociedade, ao Brasil e ao mundo. Significa a disposição para fazer bem feito o que cabe a cada um, com zelo e com honestidade para não prejudicar os Outros, reconhecer limites e restabelecer sensibilidades adormecidas para compartilhar, com menos prepotência e fastio.

Segundo Edgar Morin, a autoética é a via para a antropoética, a ética da humanidade, que atua sobre a “comunidade de destino terrestre”, composta pelos homens e demais seres da natureza. A autoética é um processo de autocrítica, reflexão e autoconhecimento, de tolerância e compreensão, que é  “antes de tudo uma ética de si que desemboca naturalmente numa ética para o outro”.

Retomar valores adormecidos, partilhar os anseios em comum reacendendo as vias políticas para a realização do bem comum, requer a atitude pessoal, corajosa, de romper com a apatia e o descompromisso individualistas. Acreditar que outro mundo é possível, depende de cada um de nós. O primeiro passo está dado!

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