3º Encontro de Mídias: Protagonismo, estratégia e interdisciplinaridade são debatidos este ano
08 de Abril de 2014

3º Encontro de Mídias: Protagonismo, estratégia e interdisciplinaridade são debatidos este ano

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Uma nova perspectiva para o profissional de Mídia: a de que ele é um protagonista no processo criativo e de negociação nas agências e, portanto, exerce um papel estratégico, além do técnico limitado a ratings, foi amplamente debatido no 3º ENCONTRO DE MÍDIAS 2014. Na abertura do evento nesta segunda-feira, 07 de abril, em São Paulo, o diretor do evento e Ceo da JMCom, Claudio Venâncio, lembrou que “80% do PIB brasileiro passa na mão do Mídia que precisa se preparar em várias áreas e cada vez assumir mais responsabilidades. Por isso, essa edição do evento buscou trazer profissionais com diversos níveis conhecimentos para contribuir nesse aprimoramento”.

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Assim, os mais de 300 profissionais do setor no encontro ouviram dos importantes nomes do mercado como o presidente da JWT Brasil, Ezra Geld e a diretora geral de Mídia & Conexões da NBS e presidente do Grupo de Mídia do Rio de Janeiro, Fátima Rendeiro a urgência de uma postura e visão integradas. “Olhe o consumidor como um interlocutor que deseja se comunicar. As relações humanas precisam ser mais verdadeiras, de troca e parceria e não para atingir o target. Precisamos atingi-lo porque tomos coisas relevantes a levar para esse indivíduo”, afirmou ela.

Nesse cenário, um plano de mídia técnico não é mais suficiente para chamar a atenção, apontou Fátima. Aspecto também salientado por Alexandre Ugadin, VP de Mídia da Giovanni+DraftFCB e Marcelo Coutinho Lima, diretor de Marketing Intelligence do Terra Networks e da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “O universo de negócios de compra e venda de mídia está baseado na atenção das pessoas, não mais no comportamento. É uma mudança radical. As empresas compram agora com base em economia de rede. As plataformas de acesso digital crescem 50% mais que as tradicionais enquanto a atenção é o recurso mais escasso da economia”, ponderou Lima.

E para conquistá-la, Fátima sugeriu estudar os fracos e iniciais sinais de mudança comportamentais. “Temos de ser planejadores de difusão da informação e não intermediários entre os pontos de contato. Por isso, nosso trabalho é integrado e colaborativo.”

Para Geld, da JWT, os processos nas empresas de comunicação e agência ainda não são totalmente integrados. No entanto, os mídias precisam ser criativos, planejadores e acima de tudo estrategistas para melhores resultados. “Estratégia é não prever o futuro, mas ter sensibilidade de entender as questões que tocam os outros. O que me preocupa nos Mídias é usar os números para justificar uma série de coisas. Números são consequência de um comportamento e ansiedades humanas. A questão é como entender e retroalimentar o processo criativo. Não tenha medo e não se limite à competência numérica dos Mídias. Com bagagem cultural e repertório, você pode tentar essa integração”, estimulou ele.

E se antes o planejamento era solitário e buscava um padrão de comportamento, “hoje é coletivo e orgânico. É um ato multidisciplinado”, apontou em sua apresentação o CEO da Talent, José Eustachio, que abordou a importância do planejamento no processo de desenvolvimento do negócio. “Inteligência coletiva é a soma das competências que é capaz de gerar essa comunicação holística. Enquanto o planejamento tem que estar a serviço da estratégia comercial”. A visão moderna da função do planejamento, explicou ele, é a de ser uma competência a favor dos objetivos de negócio do cliente, é nessa dimensão que realmente agrega valor.

Sobre a perspectiva do consumidor, o evento contou com a participação de Clotilde Perez, professora da ECA-USP e da PUC-SP que acompanha inúmeros estudos nacionais e internacionais na área junto ao Instituto Ipsos e outras instituições. “Estamos falando de mudança de paradigma entre modelo de distribuição e modelo de circulação, de participação, de transformação, é uma nova postura que exige das pessoas o compartilhar, recompor, reexaminar e recircular. Não tem mais controle institucional. Outra mudança é o consumidor como multiplicador já que hoje entendemos o consumo como um processo ritualístico, onde guardar é consumir, é um ato de produção de sentido, que envolve engajamento e ativismo. As empresas precisam aprender a ouvir e entregar algo o valor”.

A palestra de encerramento foi ministrada pelo filósofo e mestre em educação Mario Sérgio Cortella. Com a lucidez e abrangência e senso de humor que lhe é peculiar, Cortella discorre uma palestra baseada em seus livros sobre como construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante seja no âmbito profissional quanto pessoal.

O III ENCONTRO DE MÍDIAS 2014 teve apoio do Grupo de Mídia, Associação Brasileira de Publicidade (Aba), Associação dos Profissionais de Propaganda (APP), Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP), e Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de São Paulo (Sinapro). Com patrocínio de Globo, Grupo Jaime Câmara, entre outros.

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