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Será que você tem em casa uma antibiblioteca?
05 de Junho de 2023

Será que você tem em casa uma antibiblioteca?

Leia e descubra

Por Ligia Fascioni 05 de Junho de 2023 | Atualizado 05 de Junho de 2023

 

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A Cora Ronai, de quem sou fã, diz uma coisa muito verdadeira: 

Tenho mais livros do que jamais vou conseguir ler, mas preciso de todos eles. Não só pelo que contêm, mas pelo que explicam de mim para mim mesma. A pessoa que eu sou está tão presente nas minhas estantes quanto a pessoa que quero ser. 

Sempre penso nisso quando alguém olha as minhas estantes e pergunta: “Mas você já leu todos esses livros?” 

A minha resposta não poderia ser outra: 

É claro que não. Seria a minha visão do inferno não ter nenhum livro não lido em casa.

O que eu faria no caso de uma emergência? 

Por isso me senti tão identificada quando li um artigo citando o escritor e estatístico Nassim Nicholas Taleb, em que ele fala da épica biblioteca de Umberto Eco, com mais de 30 mil livros.

Ele diz que uma biblioteca não é um apêndice para inflar egos, mas uma ferramenta de pesquisa. 

Taleb diz que os livros não lidos têm mais valor do que os lidos, pois eles nos lembram da nossa ignorância, do que ainda não sabemos.

A constatação crua do desconhecido nos dá mais fome de saber e nos faz mais curiosos e vorazes de conhecimento.

Ter alguns livros não lidos nos faz intelectualmente mais humildes, segundo ele.

Taleb chama essa coleção tão especial  de livros que aguardam uma chance de serem decifrados de antibiblioteca. 

Vale tanto para quem acumula papel como para quem tem uma coleção de ebooks intocados no Kindle. 

Mas claro que para a ideia da antibiblioteca valer, tem que ter a biblioteca também, a dos livros lidos.

Taleb ainda vai além; ele diz que quanto mais velhos ficamos, mais acumulamos livros não lidos, até um ponto em que eles serão maioria na nossa estante.

Porque quanto mais a gente aprende, mais tem noção da própria ignorância; e os livros estão aí para nos lembrar disso.

E olha só como são as culturas. Isso é tão comum no Japão que eles têm até um nome próprio para quem compra livros e vai acumulando.

TSUNDOKU: ato de empilhar um livro não lido logo após a compra sobre outros livros igualmente não lidos.

Livros são essenciais na construção do nosso repertório e no desenvolvimento neuronal. 

Como bem diz Damon Knight: “Não existe algo como uma história. As palavras no papel são apenas instruções usadas para cada leitor criar uma história. A história propriamente dita existe apenas na mente do leitore mais em nenhum outro lugar. E isso é diferente para cada leitor, porque não há duas pessoas com a mesma experiência, histórico, educação, interesses, etc. 

Com tantas ofertas em canais de streaming, está cada vez mais difícil a gente conseguir tempo para ler. É muito tentador ceder ao controle remoto e a luta entre um livro (onde você tem que criar absolutamente tudo a partir de letras escritas em um papel) e um filme (alguém já pensou e desenhou tudo para você) é bem injusta.

Não precisa abrir mão dos filmes, claro, mas seu cérebro vai agradecer demais se você tentar equilibrar um pouco mais essa equação. 

Você já se deu conta de que ler é praticar o superpoder de criar mundos, criaturas e sentimentos?

Tem coisa mais sensacional?

 

NOTA: Se você se sentiu inspirado(a) e quer aumentar tanto a sua biblioteca como a sua antibiblioteca, recomendo dar uma passada no meu podcast Minha Estante Colorida, onde eu resenho livros de todas as cores. Está em todos os agregadores, mas dá para ir também no site próprio.

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