Acabou de ser divulgado o número do PIB do 1º trimestre de 2023. Uma alta de 1,9% na comparação com o último tri de 2022. E uma alta de 4% na comparação anual. Um resultado que surpreendeu os principais analistas. O que nós podemos entender quando abrimos esse número e analisamos seus diversos fatores?
O PIB é composto por uma série de dados que o IBGE compila, relacionados a diversos setores da economia. Analisando esses dados, o resultado é bem menos pujante. O grande responsável pela alta é o agronegócio brasileiro, que segue dando show, com uma alta de 21%. Indústria e serviços com resultados bem mais modestos (0,1% e 0,6% respectivamente). E queda grande de importação (7,1%), que também ajuda no número cheio do PIB, porém demonstra menos investimentos em máquinas e equipamentos, assim como em bens de consumo.
Como todos sabemos e temos acompanhado no noticiário, o agronegócio vive um momento ambíguo. De um lado, o contínuo ganho de produtividade, o aumento de investimentos e a dependência cada vez menor do Estado como financiador da produção. De outro, a sombra do MST, com suas invasões e a desestabilização no campo, além de insegurança jurídica permanente, seja por uma constante ameaça de revisão de regras ambientais, seja através do discurso ofensivo por parte do governo. Isso levou, inclusive, a um ato mais hostil por parte dos produtores rurais, com o Ministro da Agricultura sendo desconvidado da Agrishow, a principal feira do setor, realizada em Ribeirão Preto nesse último mês. Obviamente, quanto mais tranquilidade para o setor, provavelmente maiores serão os resultados.
Com relação à indústria, comércio, construção civil e serviços, os dados são impactados diretamente por dois fatores:
1) Juros altos: o Banco Central deve começar o seu processo de afrouxamento de taxas de juros nos próximos meses. A curva de juros brasileira já mostra vários cortes sendo esperados. Esse deve ser um fator importante na retomada desses setores.
2) Desconfiança do governo: o empresariado ainda não embarcou junto com o novo governo. A falta de credibilidade é muito grande. A aprovação do novo arcabouço fiscal empurra essa definição para mais adiante. Já que pairam muitas dúvidas se o governo conseguirá entregar os resultados prometidos no plano fiscal. O receio é que o setor produtivo seja impactado com mais aumentos de impostos para financiar as contas públicas.
Um ponto importante a ser acompanhado nos próximos trimestres será a velocidade de recuperação da economia chinesa. Por enquanto, bem apática. Isso pode ser confirmado nos preços das principais commodities e, também, nos dados recentes de atividade, como os PMIs (índices de gerentes de compras), que mostram uma provável desaceleração da economia. Brasil segue sendo um país produtor de commodities básicas, como minérios, soja e afins. Se preço das commodities subir, poderemos ter uma “inflação do bem”, com preços subindo, mas com entrada de dólares e crescimento para o país. Já vimos isso no 1º mandato do atual presidente. Diferença primordial é que naquela época tínhamos superávit primário das contas públicas. E não temos essa margem agora.
Por fim, importante notar a queda das importações. Esse é mais um fator que demonstra a falsa idéia de que o PIB foi um número forte. Importações menores significam menos investimentos em máquinas e insumos produzidos fora do Brasil. Assim, fica claro que o freio de mão foi puxado. Investimentos foram postergados. Uma sinalização mais clara de austeridade nas contas públicas, com atitudes mais pró-mercado por parte do governo, com certeza, ajudariam muito no processo.
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